ESPORTES
Terça-feira, 27 de Maio de 2008, 21h:20
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SANTOS
Leão faz acordo e deixa o comando
Reclamando muito da torcida, o polêmico treinador resolveu entregar o cargo, em acordo amigável com o presidente Marcelo Teixeira
SANCHES FILHO
Da Agência Estado Santos, SP
Emerson Leão não é mais o técnico do Santos. Ele chegou a um acordo com o presidente do clube, Marcelo Teixeira, durante um almoço no hotel Recanto dos Alvinegros, anexo ao Centro de Treinamento Rei Pelé, no começo da tarde de ontem, e deixou o cargo sem pagamento de multa. Agora, a diretoria santista corre atrás de um novo treinador. Contratado para o lugar de Vanderlei Luxemburgo, que foi para o Palmeiras, Leão assumiu o comando do Santos no último dia 15 de dezembro. Em cinco meses e 12 dias no cargo, ele disputou 32 jogos, com 16 vitórias, cinco empates e 11 derrotas. Nesse período, o elenco santista passou por grande reformulação e os resultados não apareceram. No Campeonato Paulista, o Santos começou muito mal e, apesar da recuperação no final, não conseguiu chegar às semifinais. Na Libertadores, a campanha até que foi boa, mas o time caiu nas quartas-de-final, diante do América, do México. E no Brasileirão, depois de três rodadas disputadas, apenas três pontos somados e uma goleada humilhante para o Cruzeiro, por 4 a 0, no último domingo, em Belo Horizonte. "Quando se chega a um acordo não tem lado que tomou a iniciativa Ninguém me tirou e nem me segurou", disse Leão, durante uma entrevista coletiva na tarde de ontem. Ele saiu do clube sem se despedir dos jogadores do elenco santista. "Não houve tempo", justificou o treinador. Durante a entrevista coletiva de Leão, a Torcida Jovem, maior organizada do Santos, comemorava com uma grande festa, do lado de fora do CT Rei Pelé, a saída do treinador. Além disso, torcedores atiraram duas pedras em seu carro, provocando um afundamento na lateral junto à porta esquerda. "O que a inveja faz", afirmou Leão, que ficou irritado ao ver os danos causados em seu carro. "Vou voltar para o estacionamento (do CT Rei Pelé) e o Santos vai ter que pagar isso aí." HISTÓRICO DE PROBLEMAS - O almoço de ontem com o presidente Marcelo Teixeira colocou um ponto final na difícil relação entre Leão e a torcida santista, nesta terceira passagem do treinador pelo clube. Logo na chegada, ao criticar a estrutura que encontrou e o trabalho do antecessor (o desafeto Luxemburgo), Leão já irritou a torcida organizada, que passou a atacá-lo. Tanto que, depois do primeiro jogo da temporada, a estréia com derrota no Paulistão (2 a 0 para a Portuguesa), os muros do CT Rei Pelé amanheceram pichados, pedindo a saída do treinador. A derrota para o Rio Preto, no dia 17 de fevereiro, também pelo Paulistão, por pouco não custou o emprego de Leão. O diretor de futebol do clube, Luiz Antônio Ruas Capella, até que tentou contratar um outro técnico, mas ouviu o "não" de Abel Braga e de Cuca. Ele, então, chegou a acertar verbalmente com Vagner Mancini, que só não assumiu porque o Santos ganhou o jogo seguinte, contra o Guarani. "Deixo a torcida do carnaval satisfeita", foi uma das frases ditas por Leão na despedida, referindo-se à ajuda que a organizada Torcida Jovem recebe de Luxemburgo para realizar o seu carnaval. Sinal de o clima entre as duas partes já estava mesmo sem solução. ELENCO - A saída de Leão mudou também o ambiente entre os jogadores santistas. Muitos deles, inclusive, nem se preocupavam em esconder o contentamento. "Essa foi, sem dúvida, a minha passagem mais difícil pelo Santos", admitiu o treinador. Como pretende encerrar a carreira de técnico aos 60 anos de idade, em 2010, Leão não acredita que haverá tempo para uma quarta passagem pelo Santos. "Ouvi de um dirigente importante que, devido à situação financeira muito difícil, o Santos não vai contratar ninguém. Fiz algumas ponderações ao presidente e houve o acordo. Saio no momento certo, porque o meu sucessor pega o time no começo do Campeonato Brasileiro", finalizou Leão.