ESPORTES
Terça-feira, 08 de Julho de 2014, 20h:33
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TEM DE EXPLICAR
Humilhação coloca Marin na linha de fogo
BERNARDO ITRI, MARCEL RIZZO E SÉRGIO RANGEL
Da Folhapress Belo Horizonte, MG
A goleada sofrida pela seleção brasileira em casa faz com que José Maria Marin e Marco Polo Del Nero tenham que lutar para se manter no poder do futebol brasileiro. Os dois cartolas sabem que os seus opositores no futebol e os políticos vão tentar tirar proveito do fracasso da seleção para mexer na CBF. Em março, Marin foi realista e disse que uma derrota da seleção o deixaria em situação delicada. "Estamos no purgatório. Se ganharmos a Copa, vamos para o céu. Se perdermos, vamos todos para o inferno. Eu falei isso para o Felipão", disse o presidente da CBF à Folha de S.Paulo. Marin foi praticamente escanteado pelo governo federal nos dias de Copa. Comandante também do COL (Comitê Organizador da Copa) desde 2012, o cartola não conseguiu nem realizar seu desejo de se encontrar com a presidente Dilma Rousseff. A petista não esconde sua simpatia pelo Bom Senso F.C., movimento organizado pelos principais jogadores do país para mudar na estrutura do futebol nacional e que se opõe à CBF. Marin, ao lado de Marco Polo Del Nero, é acusado de gastar muito desde que a dupla chegou ao poder em 2012, após Ricardo Teixeira renunciar à presidência da confederação. Na véspera da abertura da Copa, eles inauguraram a nova sede da CBF, que custou mais de R$ 100 milhões. A compra do prédio foi fechado com suspeita de superfaturamento. Del Nero também será responsabilizado pelo fracasso da seleção brasileira. Vice-presidente da confederação, ele foi o articulador da demissão de Mano Menezes em 2002 e principal fiador da contratação de Luiz Felipe Scolari. Eleito neste ano para ser o próximo presidente da CBF, Del Nero só assumirá o cargo em abril de 2015 e, nos próximos dias, vai tentar se afastar da linha de frente da confederação. O cartola era favorável à manutenção do treinador mesmo após o fiasco desta terça (8), mas sabe que a permanência do Felipão é inviável e terá que anunciar o substituto rapidamente para mudar o foco. Em agosto, a seleção deverá jogar na Europa. Até agora, o time nacional já tem dois amistosos agendados. Em outubro, a seleção enfrentará a Argentina, em Pequim. No mês seguinte, o time jogará contra a Turquia, em Istambul.