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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010, 20h:10

FLUMINENSE

Hoje é dia de eleição nas Laranjeiras

Próximo de conquistar o título brasileiro, clube carioca faz pausa no futebol e se concentra na eleição de sua nova diretoria

LEONARDO MAIA
Da Agência Estado – Rio de Janeiro, RJ
Com o time do Fluminense à beira de conquistar um título que não vem há 26 anos, o clube das Laranjeiras dá uma pausa no Campeonato Brasileiro para passar hoje por eleições para a escolha do novo presidente. Júlio Bueno, candidato apoiado pelo atual mandatário tricolor, e Peter Siemsen lutam para suceder Roberto Horcades para o próximo triênio. Siemsen recebe o suporte declarado do homem forte do patrocinador do clube, Celso Barros, e denuncia possíveis irregularidades no pleito. Segundo o advogado de 43 anos, sua candidatura havia recebido em julho uma lista com oito mil sócios aptos a votar. Agora, a dois dias do pleito, o clube apresentou uma listagem com 22 mil nomes. Por isso, o Ministério Público (MP) acompanhará a eleição. Bueno, engenheiro de 55 anos, se mostra favorável à fiscalização "Eu gostaria de ter o MP, a Interpol e a CIA fiscalizando", ironizou. Na maioria dos clubes, a proximidade de uma conquista histórica certamente levaria a diretoria e a comissão técnica a afastar o time do ambiente eleitoral. Mas o clima nas Laranjeiras está aparentemente calmo e o técnico Muricy Ramalho e os dirigentes optaram por manter a programação de treinos da semana para a sede tricolor, na zona sul do Rio de Janeiro. Os sócios poderão votar entre às 8 horas e 20 horas. O ponto central de discordância entre os candidatos é justamente a forma como se dá a relação com a Unimed, que injeta dinheiro no clube tricolor há 12 anos. Júlio Bueno, diretor da Petrobras, rejeita o rótulo de situação, apesar do apoio de Horcades, e promete resgatar a autonomia do clube na aplicação dos recursos oriundos da seguradora de saúde. "Sou crítico da falta de autonomia de decisão do Fluminense. Entendemos que o patrocínio não pode pagar diretamente o jogador. Hoje você tem jogador que recebe em dia e outros que sofrem com atrasos. É uma falta de simetria que é insustentável a médio e longo prazo", apontou Bueno, que garante, porém, que sentará à mesa para discutir a renovação do acordo. Preocupados com a semana decisiva para o time dentro de campo, os candidatos são cautelosos ao se manifestar sobre possíveis renovações e dispensas do elenco profissional. O objetivo é não criar tensão para os atletas e tratar do assunto apenas depois do término do Brasileiro. Mas é certo que em caso de vitória da oposição a cúpula do departamento de futebol sofreria muitas mudanças. Muricy Ramalho, porém, é intocável. "O Muricy faz parte de um planejamento a longo prazo, da construção de um CT", garantiu Siemsen.

Edição EDIÇÃO 16967




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