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Segunda-feira, 07 de Junho de 2010, 20h:42

NÃO ASSUME

Fifa não aceita culpa por incidente

JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Os incidentes que deixaram 16 feridos no último domingo no jogo entre a Coreia do Norte e a Nigéria abre a primeira crise entre a Fifa e a África do Sul, enquanto os responsáveis pela partida - os nigerianos - optaram por culpar a Fifa pelo incidente. Já o presidente da entidade, Joseph Blatter, deixou claro que a culpa era dos nigerianos, contribuindo para a troca de farpas. "Não nos associamos ao que ocorreu", disse o dirigente. Fontes que estiveram ao lado do cartola suíço em reuniões nos últimos dias revelaram que Blatter "explodiu" ao saber dos incidentes e chegou a dar murros na mesa, alertando ao Comitê Organizador que não toleraria que isso voltasse a ocorrer. Seu temor é de que, em grandes jogos, a polícia sul-africana volte a atuar como fez no último domingo, arranhando a imagem cuidadosamente construída do Mundial com maior arrecadação da história. Os incidentes ocorreram antes do jogo começar, quando a polícia resolveu fechar os portões do estádio para evitar que torcedores sem entradas pudessem ter acesso, gerando tumulto e violência. Nos bastidores, a tensão foi alta. Blatter pediu garantias de que a forma de atuar das forças de segurança não se repetiria. Publicamente, optou por dizer que a Fifa "não tem uma força policial e que a segurança é de responsabilidade das autoridades". "Esse foi como um alarme soado antes da Copa", admitiu. Já Jerome Valcke, número 2 da Fifa, admite que entrou em contato com a polícia e garante que isso "não ocorrerá de novo na Copa". "A polícia atuará de forma diferente", prometeu o secretário-geral da entidade. Ainda assim, ele rejeita o argumento de que o que ocorreu seja uma lição. "Não tem nada a ver. São dois mundos. Nem um Mundial Sub-17 tem uma organização tão pobre como a que vimos", disse. "O que vimos foi de baixo nível e não teria sido aprovado pela Fifa", afirmou. A troca de farpas também ocorreu. A Federação Nigeriana de Futebol negou ter responsabilidade pelos incidentes. Investigações estão sendo conduzidas para determinar os responsáveis. Mas Taiwo Ogunjobi, do comitê técnico nigeriano, optou por lançar um ataque à Fifa. "Não tivemos escolha. Esse foi o único local disponível para nós. A Fifa havia tomado o controle de todos os estádios que poderiam ser usados", disse. Publicamente, a entidade se isentou de qualquer responsabilidade e rejeita a tese. Para a Fifa, o controle é sobre os dez estádios onde haverá partida da Copa e nem a seleção sul-africana é autorizada a atuar. Mas outros estão à disposição, segundo Valcke. "Nunca dissemos que não poderiam usar outros", disse. "O grande erro foi ter distribuído ingressos no dia do jogo no estádio. Isso não é uma prática da Fifa", afirmou. Publicamente, Blatter tentou reforçar sua confiança sobre os sul-africanos. "Essa Copa vai provar que a África é capaz de organizar um grande evento. Mas estamos em uma outra dimensão de trabalho. Tenham consciência de que estamos na África", disse aos jornalistas. "Em algum lugar teremos problemas. Mas peço para que entendam e que há problemas em todos os lugares do mundo", apelou.

Edição EDIÇÃO 16962




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