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ESPORTES
Quarta-feira, 04 de Agosto de 2010, 19h:22

CORINTHIANS

Felipe bate boca com Andrés Sanchez

Goleiro culpa presidente por sua situação no clube e diz que não fica. Sanchez quer R$ 700 milhões para poder liberar o atleta

BRUNO DEIRO
Da Agência Estado - São Paulo, SP
Felipe tornou pública a sua disputa com a diretoria do Corinthians e cogita processar o presidente, Andrés Sanchez, por assédio moral para obter a rescisão de seu contrato. Ontem, em entrevista coletiva, o goleiro reclamou de suposta perseguição de Sanchez. Pouco depois, os dois fizeram uma espécie de "acareação" ao vivo no programa Jogo Aberto, da Band, mas não chegaram a acordo e Felipe seguirá treinando separadamente. Para liberá-lo, Andrés quer receber de volta cerca de R$ 700 mil, referente às luvas que o Corinthians pagou ao atleta desde o ano passado. "Não quero o mal dele, mas não posso pagar para ele ir embora. Prefiro pagar para que treine separado porque pode voltar daqui a 10, 15 dias ou 3 meses", disse o presidente. "Era uma proposta irrecusável (do Genoa, da Itália) para ele, mas não posso assumir a parte que deu errado". O goleiro, porém, afirmou que foi jogado contra a torcida e não tem mais clima para defender o Corinthians, com quem tem contrato até meados de 2011. Ele exige a liberação imediata para que possa ser negociado com um clube do exterior antes do fechamento da janela de transferência, no próximo dia 31. Caso não haja acordo, Felipe só poderá sair do Corinthians neste ano para disputar a Série B. Ele já excedeu o limite de 7 jogos no Brasileirão e não tem condições de defender outra equipe da Primeira Divisão. Se permanecer no País, garante que prefere ficar sem jogar até o fim da temporada a disputar a Segunda Divisão. "Eu consigo esperar mais 4 meses até dezembro. Não desmerecendo os clubes da Série B, mas pra quem já esperou 2 meses, espero um pouco mais". RIXA ANTIGA - Felipe admitiu que seu problema com Andrés Sanchez não é novo. "Não sei o que fiz de tão grave para ele não gostar de mim. De repente foi pela confusão em 2007, na renovação do contrato. Mas aquela vez eu só cobrei algo que o próprio Andrés tinha me prometido, antes mesmo do jogo do rebaixamento contra o Grêmio", disse Felipe, que na época pediu aumento salarial, pouco depois da queda do time para a Série B. O jogador reclama do modo como o clube procedeu em junho, quando chegou a oferta do Genoa. "Eu apenas mostrei a proposta e já colocaram nota oficial (no site). E como chamam um novo goleiro (o paraguaio Bobadilla) sem nada certo? A diretoria queria a minha saída e, na situação que foi feita, eu tinha que sair", afirmou o goleiro - o acordo com os italianos fracassou por conta de uma mudança na lei esportiva do país europeu, que limitou o número de atletas sem passaporte comunitário nos clubes. Segundo o goleiro, uma nova proposta do Braga, de Portugal, foi feita no fim da semana passada, mas acabou barrada pela diretoria corintiana. "Estava com a mala pronta quando o presidente disse que havia mudado de ideia. Disse para o meu empresário que eu tinha de ficar aqui e treinar no Nacional, com o Vampeta (o time, da Quarta Divisão do Campeonato Paulista, é treinado pelo ex-corintiano e tem jogadores do Parque São Jorge)". Andrés diz que estava apenas ironizando. "Ele (Felipe) me conhece, falei em tom de brincadeira. Não quero jamais que vá jogar no Nacional", afirmou o presidente corintiano. "Mas não vou pagar pela rescisão. O Bruno (Paiva, um dos empresários de Felipe) pediu que eu pagasse R$ 500 mil na liberação dele para o Braga". Segundo um empresário de Felipe, o Corinthians ainda tentou negociar o goleiro com o Panathinaikos, da Grécia, em acordo de quatro anos, com o mesmo salário atual (cerca de R$ 90 mil), para saldar uma dívida referente ao atacante Souza. RECONCILIAÇÃO DIFÍCIL - Felipe evitou falar ontem sobre um improvável retorno ao Corinthians. E se comparou a antigos ídolos do clube, que também deixaram o Parque São Jorge em situação pouco amistosa. "O Tévez, o Marcelinho (Carioca), com mais história que eu, saíram assim. Até o Rivellino saiu desta forma. Parece que é assim, fazem o ídolo e depois querem matar", afirmou o goleiro. Já o presidente corintiano não pareceu incomodado em manter o goleiro "na geladeira". "Ele não diz tudo o que aconteceu", disse o dirigente. "Ele não está execrado no clube. Se quiser devolver as luvas, libero amanhã. Se não quiser, vai continuar treinando, quem sabe um dia volta".

Edição EDIÇÃO 16967




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