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ESPORTES
Quarta-feira, 11 de Junho de 2014, 21h:56

ROBÔ

Esqueleto-robô vai dar chute inicial

Ponta pé inicial da Copa do Mundo, em Itaquera hoje, será dada por um esqueleto robô, construído por cientistas brasileiros

FERNANDO TADEU MORAES
Da Folhapress – São Paulo
Além dos 22 jogadores das seleções brasileira e croata, haverá mais alguém ansioso para a sua estreia na Copa do Mundo: o adulto paraplégico que, usando uma veste robótica comandada pelos seus sinais cerebrais, dará o pontapé inicial da competição. Resultado de quase dois anos de esforços, o projeto de desenvolvimento do esqueleto-robô batizado de "BRA-Santos Dumont 1" foi liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que trabalha desde o fim dos anos 1980 nos Estados Unidos. Segundo Nicolelis, o objetivo dessa primeira missão é permitir que pacientes paraplégicos readquiram a capacidade de andar autonomamente e experimentem uma melhora da qualidade de vida. O projeto recebeu R$ 33 milhões do governo federal. Pouco se sabe, porém, dos detalhes do projeto, já que Nicolelis não publicou nenhum artigo científico descrevendo o exoesqueleto. Informações sobre o pontapé inicial e a pessoa que usará a veste robótica também são mantidos em segredo. Em linhas gerais, uma touca repleta de eletrodos colocada sobre a cabeça vai captar os sinais neurais do usuário e enviá-los para um computador instalado na parte traseira da veste robótica. Os comandos serão processados e movimentarão o robô. Uma pele artificial, instalada nos pés do exoesqueleto, enviará sinais para uma manga com eletrodos na região do braço no usuário, devolvendo a ele a sensação tátil de andar. Durante toda a sua carreira, Nicolelis estudou e defendeu o uso de eletrodos implantados no cérebro para captar os sinais cerebrais, mas na demonstração da Copa será usada uma técnica não invasiva, a eletroencefalografia (EEG), criticada por ele em artigos e livros e considerada menos precisa. Com a mudança de técnica, especialistas ouvidos pela reportagem nos últimos meses questionam quanto da demonstração será controlada pela pessoa e quanto será controlado pela máquina. Lenço - Um lenço que pertenceu ao pai da aviação, o brasileiro Alberto Santos Dumont (1873-1932), será usado pelo jovem que dará o pontapé inicial nesta quinta-feira (12), O lenço é considerado uma relíquia e tem um seguro de US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões) para o caso de ser danificado.

Edição EDIÇÃO 16967




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