ESPORTES
Sábado, 28 de Junho de 2014, 18h:50
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FÉ A RELIGIÃO
Equipes classificadas encaram dilema com início do Ramadã
"Não há nenhuma hipótese de eu participar neste ano. Estou aqui trabalhando." O meia alemão Mesut Özil e outros jogadores muçulmanos enfrentam um dilema nesta fase final da Copa. A exemplo das oitavas de final do torneio, começou ontem o Ramadã, mês sagrado para os islâmicos. Até 27 de julho, muçulmanos têm o compromisso religioso de não ingerir alimentos -nem mesmo água- entre o nascer e o pôr do sol. A alimentação e a hidratação só podem ser feitas durante a noite e a madrugada. Das 16 classificadas para as oitavas de final, ao menos seis contam com ao menos um praticante da religião. Benzema, astro francês, é muçulmano. Assim como Özil e o compatriota Khedira, o suíço Shaqiri, o belga Fellaini e o nigeriano Musa. Técnico da Argélia, Vahid Halilhodzic irritou-se ao ser indagado se os jogadores seguiriam o Ramadã. "Não estou aqui para falar do Islã nem de qualquer coisa que não seja futebol." A França deu a cada jogador a opção se seguir ou não o regime especial. Já a Suíça se antecipou e avisou que nenhum dos seus atletas muçulmanos irá respeitar o Ramadã. Pelo menos, não em 2014. O tema é delicado. Em 2009, o técnico José Mourinho polemizou ao dizer que o ganense Muntari, então seu comandado na Internazionale de Milão, "estava sem energia" por causa do Ramadã. "Fizemos um estudo sobre jogadores de Tunísia e Argélia neste período e, se o Ramadã for seguido corretamente, não é esperada redução significativa do desempenho físico", disse o chefe médico da Fifa, Jiri Dvorak. Autoridades religiosas muçulmanas sugerem que quem se sentir impossibilitado de jejuar pode atrasar seu Ramadã. Em casos extremos, até cancelá-lo. Özil, por exemplo, avisou que não vai jejuar devido ao calor brasileiro. Mas nem todos lidam com essa quebra de tradição tão tranquilamente. Em 2010, o meia Ali Karimi, estrela do futebol iraniano, foi demitido do clube que defendia por não respeitar o período. A Copa de 2014 é a primeira que coincide com o Ramadã em 28 anos. Em 1986, Marrocos foi a única de três seleções de maioria muçulmana a passar da primeira fase.