O Engenhão permanecerá fechado para jogos de futebol até o início de 2015. Interditado por problemas na estrutura de sua cobertura, o estádio passará por uma reforma de 18 meses e, até que as obras estejam concluídas, ele não poderá ser usado. O anúncio da reforma foi feito ontem pela Secretaria Municipal de Obras do Rio de Janeiro e o Consórcio Engenhão, que construiu o estádio. O órgãos divulgaram no início da tarde o resultado final de um estudo encomendado pela prefeitura sobre as condições do estádio. Uma comissão de engenheiros foi montada para estudar o Engenhão. Segundo o parecer dessa comissão, "o reforço estrutural do estádio é imprescindível para que ele possa ser utilizado com os níveis mínimos de segurança". "O arco [que segura a cobertura] se movimentou bastante. Com isso, movimentou os tirantes [peça tensionada que deveria ficar reta e não está]. Por isso, caíram os níveis de confiabilidade e segurança", complementou o engenheiro membro da comissão de avaliação do Engenhão, Sebastião Andrade. Ainda não há qualquer previsão de custo para a obra na cobertura. A prefeitura irá se reunir com o consórcio responsável pelo estádio para elaborar esse orçamento. "Vamos notificar os consórcios ainda hoje (ontem). Serão 18 meses de obras. Mas é claro que isso não começará na segunda-feira. Ainda há uma série de estudos a serem feitos antes do início das obras", disse o secretário de obras do Rio de Janeiro, Alexandre Pinto. O secretário ainda fez questão de assegurar que não haverá qualquer dinheiro público na obra. "A Prefeitura não terá nenhum gasto. Tudo sairá dos consórcios". "Tragédia" - Alexandre Pinto também não poupou palavras para avaliar a repercussão do caso. "Fechar um estádio desse em tão pouco tempo é uma tragédia. Penso, sim, que é uma vergonha. Foi um erro no projeto da obra. Aliás, muitos erros", disse, se referindo ao projeto assinado pela Alfa Engenharia. O Engenhão foi interditado pela Prefeitura do Rio de Janeiro no dia 26 de março. À época, o prefeito Eduardo Paes baseou-se em um relatório de uma empresa alemã, a SBP (Schlaich Bergermann und Partner), para anunciar o fechamento do estádio por tempo indeterminado. Meses antes, a SBP havia sido contratada pelo consórcio construtor do Engenhão, formado pela Odebrecht e a OAS, para avaliar a estrutura do estádio. A SBP chegou à conclusão de que a cobertura do espaço tinha problemas. Ventos de 63 km/h poderiam fazer o teto do Engenhão ruir.