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Quarta-feira, 11 de Julho de 2007, 20h:00

COPA AMÉRICA

Doni: "Tive uma noite de Taffarel"

Goleiro da Seleção tem dia de herói e diz que o importante é que está na final e que pode brigar pelo título

SÍLVIO BARSETTI E LUÍS AUGUSTO MONACO
Da Agência Estado – Maracaibo, Venezuela
Faltavam 15 minutos para a 1 hora de quarta-feira em Maracaibo quando Doni finalmente entrou na van que o levaria de volta para o hotel em que a seleção brasileira está concentrada na cidade venezuelana. Por ter sido sorteado para o exame antidoping junto com o atacante Vágner Love, o goleiro foi o último a aparecer na área de entrevistas. E por ter sido o herói da classificação do Brasil para a final da Copa América, ele foi o mais procurado pelos jornalistas. "Tive uma noite de Taffarel", admitiu. A menção ao nome do goleiro do Brasil nas históricas decisões por pênaltis contra a Itália, na final da Copa de 94, e contra a Holanda, na semifinal do Mundial de 98, não foi por acaso. Como quase todos os goleiros que começaram a jogar depois que Taffarel já era titular da seleção, Doni também é fã do tetracampeão. "Eu me emocionei vendo o Taffarel naquelas decisões, e hoje pude ajudar o Brasil como ele ajudava", revelou Apesar de provavelmente ter vivido o melhor momento de sua carreira ao defender o pênalti cobrado pelo zagueiro uruguaio Lugano, Doni não demonstrava euforia. Alegria, sim, mas sem exagero. E como seguidor fiel da cartilha do técnico Dunga, que combate a vaidade e o individualismo na seleção, o goleiro tratou de dizer que não se sentia um herói e que sua maior alegria era pelo treinador. "Estou muito feliz por ter podido retribuir a confiança que o Dunga depositou em mim ao me escolher como titular. Sei que ele recebeu críticas por isso e que havia gente que não confiava em mim", afirmou Doni. Foi a primeira vez na seleção que Doni pôde mostrar sua destreza para defender pênaltis. Mas, durante a entrevista depois da semifinal da Copa América, ele lembrava com orgulho do Campeonato Brasileiro de 2003, quando jogava pelo Corinthians. "Se não me engano, peguei oito pênaltis em 11 cobrados", disse o goleiro. Para defender o pênalti de Lugano na terça-feira, que garantiu a vitória (5 a 4) e a classificação brasileira, Doni admitiu que se adiantou na hora da cobrança. "Só um pouquinho", afirmou o goleiro da seleção, rindo. "Eu imaginava que ele ia bater no meio do gol, então resolvi me mexer antes para confundi-lo e deixá-lo em dúvida. Deu certo." O preparador de goleiros da seleção, Wendel Ramalho, aplaude a estratégia de Doni. "Durante o jogo o árbitro pode até mandar voltar a cobrança, mas numa disputa de pênaltis é muito difícil fazer isso. O Doni fez muito bem de se adiantar", comentou. Wendel contou que já defendia a convocação de Doni na época em que a seleção era dirigida por Carlos Alberto Parreira, antes da Copa do Mundo da Alemanha/2006. "Eu não falava diretamente com o Parreira sobre isso, mas sim com o Jairo Leal, que era o auxiliar dele. Eu dizia: 'Jairo, o Doni está muito bem na Itália tá merecendo uma chance. E vocês o conhecem bem, porque trabalharam com ele no Corinthians'. A chance chegou só agora, mas o Doni está aproveitando muito bem", disse o preparador de goleiros. Além de se adiantar, Doni tentava provocar os uruguaios antes das cobranças dos pênaltis para aumentar sua chance de defesa. E contou com bom humor como os batedores reagiam. "Eu ia lá para falar qualquer coisa que pudesse desconcentrá-los, mas eles não queriam saber de ouvir nada e muito menos de dar alguma resposta", admitiu o goleiro. Como o Brasil ganhou e tudo era festa, ele disse que não ligou para a "cavadinha" de Abreu, o atacante uruguaio que cobrou o último pênalti da primeira série no melhor estilo Djalminha, com aquele toque matreiro que tanto irrita os goleiros. "Parabéns para ele, que mostrou personalidade. Mas se jogasse na seleção brasileira jamais teria batido daquele jeito, porque aqui a história é outra", afirmou Doni. Antes de finalmente entrar na van que o levaria para o hotel, onde Vágner Love já o aguardava havia alguns minutos, Doni disse que ia embora com a sensação de ter conquistado créditos para realizar seu sonho de ficar um bom tempo na seleção. Como ficou o seu ídolo Taffarel.

Edição EDIÇÃO 16967




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