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ESPORTES
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008, 21h:34

TÊNIS

Desconhecido de El Salvador faz bonito contra Federer

"Quando olhava para cima, na hora do saque, me assustava: em vez de ver o céu, via a arquibancada cheia de gente." Rafael Arevalo tem 22 anos, nasceu em El Salvador, é tenista e, antes de Pequim, nunca havia jogado uma partida da chave principal de torneios da ATP. O adversário e o tamanho da quadra, a central do Complexo Olímpico de Tênis, o deixaram atordoado, mas não a ponto de fazê-lo dar vexame. Ao contrário: Arevalo atuou com personalidade e perdeu por honrosos 6/2 e 6/4 para Roger Federer, o ainda número 1 do mundo. Foi para o vestiário aplaudido pelos chineses e até distribuiu alguns autógrafos. El Salvador parou para vê-lo enfrentar o suíço. Algumas instituições permitiram até que seus funcionários entrassem no trabalho apenas após o histórico duelo para o país. Uma emissora de TV gastou horas fazendo propaganda e exibiu o jogo ao vivo. Para muitos, foi o maior momento do esporte salvadorenho. "Foi como se tivéssemos ganho uma medalha, nossa primeira na história", afirmou Estrella Burgos, assessora de imprensa do Comitê Olímpico de El Salvador. A pequena nação da América Central nunca subiu no pódio em Olimpíadas. Na China, tem 11 atletas, nenhum com chances reais de buscar uma medalha. A apresentação de Arevalo, porém, já valeu a participação em 2008. Desde segunda-feira, ele é assunto no país, embora apenas dois jornalistas façam a cobertura do evento em Pequim. Depois de surpreender o sul-coreano Hyung-Taik Lee na rodada de abertura, soube que teria pela frente o astro suíço. Os salvadorenhos misturaram um sentimento de felicidade com apreensão. Por quê? "Temíamos que o jogo não durasse quase nada, que ele perdesse por uma diferença muito grande", explicou Estrella. Arevalo, 447.º do ranking, é tranqüilo e não entrou em pânico. Chegou à Olimpíada por causa de convite da Federação Internacional de Tênis (ITF) e fez bom papel. Antes do jogo encontrou-se com Federer. Foi cumprimentado e ouviu um "boa sorte na carreira". Não perdeu a oportunidade de conversar com o ídolo.

Edição EDIÇÃO 16962




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