A Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, promete entrar para a história não apenas pelo aumento do número de seleções participantes, mas também pelo volume de recursos movimentados. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) projeta arrecadação recorde de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 65,5 bilhões) no ciclo 2023-2026, consolidando o Mundial como um dos maiores negócios do esporte global.
Desse total, US$ 8,9 bilhões (R$ 44,8 bilhões) devem ser gerados apenas em 2026, ano da competição. O valor representa um crescimento de 56% em relação à Copa do Catar, realizada em 2022, e praticamente o dobro da receita registrada no Mundial disputado no Brasil, em 2014.
A edição de 2026 será a primeira da história com 48 seleções, ampliando significativamente o alcance do torneio. O número de partidas passará de 64 para 104 jogos, aumentando a exposição de patrocinadores e emissoras de televisão.
Segundo o diretor do Observatório de Futebol CIES, Raffaele Poli, a expansão do torneio contribui para o crescimento das receitas, mas não explica sozinha os números recordes.
“A marca Copa do Mundo é tão forte que seu crescimento está ligado principalmente a uma tendência de longo prazo”, avalia o especialista.
De acordo com ele, a Fifa aperfeiçoou ao longo dos anos seus mecanismos de monetização do evento, ampliando receitas com direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos.
A expectativa é que apenas a comercialização de ingressos gere cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), valor mais de três vezes superior ao arrecadado na Copa de 2022. Já os direitos de transmissão devem render quase US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões), enquanto os contratos de patrocínio também registram crescimento expressivo.
Parte desses recursos será redistribuída às seleções participantes e aos clubes que cederem atletas para a competição. A Fifa prevê gastar aproximadamente US$ 3,7 bilhões (R$ 18,6 bilhões) diretamente relacionados ao Mundial.
As premiações também serão ampliadas. O montante total destinado às seleções subirá para US$ 871 milhões (R$ 4,3 bilhões), quase o dobro dos US$ 440 milhões pagos na Copa do Catar.
Cada seleção garantirá pelo menos US$ 12,5 milhões (R$ 63 milhões) pela participação no torneio, enquanto a campeã poderá receber até US$ 50 milhões (R$ 252 milhões).
Apesar dos números bilionários, especialistas alertam que nem todos os envolvidos sairão ganhando na mesma proporção.
Os custos operacionais para as seleções devem aumentar devido à dimensão territorial dos três países-sede e às despesas com logística, deslocamentos e tributos cobrados nos Estados Unidos e no Canadá.
Além disso, cidades anfitriãs também enfrentam incertezas sobre os benefícios econômicos prometidos pela competição.
Embora a Fifa fique com grande parte das receitas geradas durante o evento, incluindo diversas taxas e receitas comerciais, cabe às cidades-sede arcar com investimentos em infraestrutura, mobilidade urbana e segurança pública.
Segundo especialistas, os ganhos indiretos relacionados ao turismo e à projeção internacional das cidades são difíceis de mensurar.
Alguns sinais de preocupação já surgiram. No início de maio, a Associação Americana de Hotéis e Hospedagem (AHLA) informou que várias cidades-sede registravam níveis de reservas abaixo do esperado. Entre os fatores apontados estão restrições de vistos, questões geopolíticas e cancelamentos de hospedagens previamente bloqueadas.
Por outro lado, cidades como Miami demonstram otimismo. A previsão local é receber cerca de um milhão de visitantes durante o torneio e gerar aproximadamente 9 mil empregos temporários.
Já a região de Nova York e Nova Jersey, que sediará a final da Copa do Mundo de 2026, estima um impacto econômico superior a US$ 3,3 bilhões (R$ 16,6 bilhões).
Enquanto a Fifa comemora a perspectiva de arrecadação sem precedentes, o verdadeiro legado econômico da maior Copa da história ainda será medido após o apito final.




