ESPORTES
Quinta-feira, 29 de Junho de 2006, 21h:51
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Confronto entre França e Brasil evoca memórias mágicas
Do estrago feito por um garoto de 17 anos chamado Pelé até a magistral atuação de Zinedine Zidane na grande noite de suas vidas, os torcedores franceses têm memórias vivas dos confrontos com o Brasil em Copas do Mundo. Quando se é um jogador de futebol, seu primeiro sonho é jogar na Copa do Mundo e o segundo é enfrentar o Brasil na competição, disse o volante francês Patrick Vieira, resumindo a ansiedade antes do jogo das quartas-de-final, amanhã, contra a Seleção Brasileira, em Frankfurt, informa a Agência Reuters. A derrota por 5 x 2 na semifinal em 1958 para uma das melhores seleções da história do futebol, a emocionante partida das quartas-de-final vencida na cobrança de pênaltis em 1986 e, claro, o mágico triunfo por 3 x 0 que levou a França ao título em 1998 deixaram impressões indeléveis nos franceses. A história começa em 1958 no estádio Rasunda de Estocolmo, onde a seleção francesa, inspirada pelo meio-campo Raymond Kopa e pelo atacante Just Fontaine, desafiou um imponente grupo de artistas brasileiros por um lugar na final. A chance da França sofreu um duro golpe quando o capitão Robert Jonquet quebrou a perna aos 26 minutos de jogo. Nenhuma substituição era permitida em jogos competitivos naquela época e a França, vencendo por 1 x 0, teve que continuar jogando com apenas dez homens. OS TRÊS GOLS DE PELÉ Pelé colocou a França perto da eliminação com três gols. O jovem prodígio, no início de uma carreira brilhante, estava em grande companhia naquele dia, com Garrincha, Didi e Vavá, apenas para citar alguns poucos. As duas seleções se encontraram novamente no estádio Jalisco, em Guadalajara, nas quartas-de-final da Copa do Mundo do México, em 1986. A França exibia seu triângulo mágico no meio-campo com Michel Platini, Alain Giresse e Jean Tigana, enquanto o Brasil tinha Sócrates, Alemão e Careca. Num confronto emocionante, um gol de Platini pouco antes do intervalo neutralizou a vantagem que Careca havia conseguido para os brasileiros. A partida acabou sendo decidida na cobrança de pênaltis, em que Sócrates e Platini perderam suas penalidades antes de Luis Fernandez colocar a França entre os quatro semifinalistas. Poucos apostavam na França quando o Brasil se colocou em seu caminho novamente em 1998, desta vez na final da Copa do Mundo no Stade de France, na França. Zidane, que esteve brilhante durante todo o jogo que pareceu ter apenas uma equipe em campo, marcou duas vezes de cabeça depois de cobranças de escanteio. A França então teve Marcel Desailly expulso aos 23 minutos do segundo tempo, mas manteve o controle do jogo e Emmanuel Petit selou seu único triunfo em Copas do Mundo com um gol quase no final do jogo. Foi uma loucura, disse Vieira, que entrou em campo como a última substituição da França naquela noite. Sempre vou me lembrar da milhares de pessoas na Champs-Elysée, um país inteiro comemorando. Encontrá-los novamente é um desafio fantástico, completou o jogador.