ESPORTES
Sexta-feira, 16 de Abril de 2010, 20h:40
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PALMEIRAS
Clube espera clima hostil no Paraná
BRUNO WINCKLER
Da Agência Estado São Paulo
Os palmeirenses já estão preparados para enfrentar um clima hostil assim que chegarem a Curitiba para a segunda partida das oitavas de final da Copa do Brasil contra o Atlético Paranaense. Acreditam que o rival criará uma atmosfera para amedrontar os jogadores do Palmeiras. O desdobramento do caso entre Manoel e Danilo foi visto no Palmeiras como uma forma de instigar os torcedores do Furacão a criarem um ambiente nada amistoso. Após a partida, nos vestiários do Palestra Itália, dirigentes já projetavam o que terão pela frente. "Vão fazer como fazem com o São Paulo toda vez que eles vão para lá", comentou o gerente administrativo Sérgio do Prado para o vice-presidente Gilberto Cipullo. É Prado quem comanda toda a logística de viagens do clube. Apesar da preocupação, ele acredita que o clima criado só fará mal ao Atlético-PR, não ao Palmeiras. "A pressão pela vitória vai ser toda em cima deles, cada centímetro que aumentarem nessas declarações vai aumenta em um grama o peso da camisa deles. Tomara que falem quilômetros", disse Prado. A viagem para a capital paranaense está programada para segunda-feira à noite. Cipullo acredita que a vitória palmeirense sem sofrer gols motivou as ações do Atlético. "A nossa parte nós fizemos, ganhamos sem sofrer gols e agora eles vão tentar jogar toda a pressão nas nossas costas. Eles vão fazer tudo para transferir essa responsabilidade para o Palmeiras." No Atlético-PR a promessa é de que os episódios após a partida não afetarão a forma como o clube receberá o Palmeiras em Curitiba, mas o advogado e conselheiro do clube, Alfredo Ibiapina, diz que um possível clima desfavorável ao Palmeiras só poderá existir por causa de Danilo. "Ele criou uma situação difícil para eles. Nossa torcida não tolera o racismo e isso pode ser refletido na forma o Palmeiras vai ser tratado, o que está fora da alçada do Atlético. Só posso dizer que em campo, o Atlético vai jogar futebol limpo para tentar reverter o resultado", disse Ibiapina. Os jogadores do Palmeiras, até para evitar que uma palavra seja mal interpretada pelos rivais da próxima quarta-feira, não querem alimentar mais polêmicas. "Vamos nos concentrar no nosso jogo, fizemos um grande jogo em casa e agora vamos com tranquilidade pensar na partida da volta sem pensar muito no que está acontecendo fora do campo", disse Pierre. "Acho que nossa preocupação deve estar só dentro de campo." JULGAMENTO - O presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Virgílio Val, pode suspender preventivamente os zagueiros Danilo, do Palmeiras, e Manoel, do Atlético-PR. Os dois se envolveram em incidentes de agressão e racismo na partida de quinta-feira pela Copa do Brasil, que terminou com vitória palmeirense por 1 a 0 no Palestra Itália. De acordo com o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, não há tempo de julgar os dois jogadores antes do confronto de volta entre as duas equipes, na próxima quarta-feira, em Curitiba. Ele considera isso "perigoso" e vai solicitar a suspensão preventiva de ambos. "Como a infração não está na súmula e eles não foram expulsos, a coisa pode ficar pior no jogo de volta. Isso pode insultar até as duas torcidas", alertou Paulo Schmitt. Ele vai denunciar Danilo e Manoel na segunda-feira. E o jogador do Palmeiras poderá pegar uma punição mais pesada. Pela cusparada em Manoel, a pena varia entre seis e 12 partidas. Já pela discriminação racial - chamou o zagueiro do Atlético-PR de "macaco" -, Danilo pode pegar gancho de cinco a 10 jogos, além de multa financeira de R$ 100 a R$ 100 mil. Enquanto isso, Manoel vai ser indiciado por ato hostil tanto pela cabeçada quanto pelo pisão em Danilo. A pena por cada uma das infrações varia de uma a três partidas. Ou seja, o zagueiro do Atlético-PR poderia pegar no máximo seis jogos de suspensão.