Citadini depõe à Justiça em caso de lavagem de dinheiro
ROBSON MORELLI
Da Agência Estado São Paulo
Antônio Roque Citadini, única testemunha de acusação arrolada pelo Ministério Público Federal sobre o suposto crime de lavagem de dinheiro da MSI no Corinthians, não apresentou provas em seu depoimento de mais de cinco horas ontem, na sede da Justiça Federal. Diante dos réus que não tiveram a prisão decretada, como o ex-presidente Alberto Dualib e o agenciador Renato Duprat, entre outros, Citadini disse basicamente que todas as suas informações sobre ações de lavagem de dinheiro da MSI no Brasil foram obtidas por meio de blogs e sites de notícias na internet. O conselheiro do Corinthians e presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo sempre posicionou-se contrário ao acordo do clube com a MSI, sobretudo porque nunca recebeu dos dirigentes informações precisas da procedência do dinheiro investido por meio do talão de cheques do iraniano Kia Joorabchian, a cara da MSI no País. Só não compareceram no encontro desta segunda na Justiça Federal os acusados estrangeiros, como o russo Boris Berezovski e o próprio Kia, que se refugia em Londres, além do vice de Dualib, Nesi Curi, que alegou não estar bem de saúde. Depois das considerações de Citadini, o ex-dirigente corintiano respondeu perguntas do juiz, do promotor Sílvio Luís Martins de Oliveira e dos advogados de defesa. Os réus apenas escutaram o que tinha a dizer a testemunha de acusação. No audiência, eles não podiam se manifestar a não ser a pedido do juiz. "Quem não deve não teme. Não tenho de prestar contas de uma coisa que não fiz", afirmou Dualib. "O testemunho de Citadini é frágil e não é suficiente para sustentar a acusação de lavagem de dinheiro", disse um dos advogados de defesa envolvidos com o caso. O próximo passo do MP é ouvir as testemunhas de defesa, arroladas pelos réus. São mais de cinco. Dualib e Nesi Curi também são acusados por formação de quadrilha. Eles estiveram à frente da dobradinha de quase três anos com a MSI.