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ESPORTES
Sábado, 14 de Julho de 2007, 14h:00

PAN-2007

Brasil enfrenta a Argentina no hóquei

Meninas do hóquei brasileiro sobre grama querem vencer as argentinas como aperitivo para a decisão da Copa América

AMANDA ROMANELLI
Da Agência Estado – Rio
Horas antes da decisão entre Brasil e Argentina na Copa América, um duelo prévio entre as duas seleções será travado em um outro campo, longe da Venezuela. O Complexo Esportivo de Deodoro recebe, às 10 horas deste domingo, a partida de estréia do hóquei sobre grama feminino - uma modalidade incipiente no País, mas que verá um verdadeiro ícone do esporte passear por seus gramados. Neste domingo, para azar do Brasil, "Maradona" estará do outro lado. Luciana Paula Aymar, de 29 anos, ganhou diversos apelidos durante sua carreira. Ser chamada de "maga" mostra o reconhecimento de uma nação por seus feitos no campo. Contudo, ser comparada ao maior jogador do futebol argentino é atingir um ponto quase inalcançável. Uma demonstração de que nunca houve ninguém como ela. "É um grande motivo de orgulho ser comparada ao Diego - no campo esportivo, obviamente", esclarece Luciana, eleita a melhor jogadora de hóquei do mundo por três vezes. Atacante, a argentina tem um estilo de jogo ofensivo, encontrando brechas no sistema defensivo adversário. E, claro, não dispensa os dribles. Natural da cidade de Rosário, Luciana é torcedora do Newell’s Old Boys. Sempre que possível, assiste aos jogos do seu time e também da seleção argentina. Pretende, claro, ver a decisão da Copa América, embora tenha lamentado não ter acompanhado a vitória contra o México, nas semifinais. "Deve ter sido um lindo jogo, afinal, ganhamos por 3 a 0." Como os argentinos adoram apelidos, Luciana e suas colegas resolveram nomear-se logo após a primeira grande conquista do país. Após a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, viraram as "leonas". A garra mostrada em campo só poderia trazer mais títulos. Dois anos depois, foram campeãs mundiais. Em 2004, na Olimpíada de Atenas, conquistaram o bronze, mesmo posto obtido no último Mundial, ano passado. "Viramos as ‘leonas’ porque precisávamos de um símbolo que nos representasse e procuramos um animal com características similares às nossas. Virou uma necessidade após a campanha de Sydney." Mais uma prova do prestígio de Lucha (sim, ela tem outro apelido): ser escolhida como porta-bandeira da delegação argentina, a primeira atleta a pisar no Maracanã lotado, nesta sexta-feira. Para ela, um brinde à uma trajetória vitoriosa. E o reconhecimento de que, como participante de uma equipe tão vencedora, colocou o hóquei sobre grama em outro patamar. "Acho que foi um prêmio para tantos anos de esforço. Nos últimos tempos, o hóquei mudou muito, passou a ser popular na Argentina. Antes, as pessoas até viam a seleção mas não iam aos clubes. Hoje, os estádios estão cheios. É uma evolução com base em resultados", afirma a atleta do Quilmes, da cidade de Buenos Aires. A Argentina é pentacampeã pan-americana de hóquei - não pára de vencer desde os Jogos de Indianápolis, em 1987. A primeira participação de Luciana foi em Winnipeg (1999). A última, será no Rio. E, como o time campeão nos Jogos cariocas estará automaticamente classificado para a Olimpíada de Pequim, a atacante projeta para a China o palco da despedida. De preferência, com o ouro. Embora seja estrela, Luciana diverte-se jogando - e até fazendo treinos físicos no gramado com areia de Deodoro. Provoca as amigas, faz piadas. E é muito sincera: no Pan do Rio, apenas os Estados Unidos são páreo para as ‘leonas’. "O torneio pan-americano é muito fraco, comparando-se com outros campeonatos. Mas algumas seleções melhoraram bastante, como a das Antilhas Holandesas e do Chile. Acho, porém, que apenas as americanas são nossas verdadeiras adversárias." Das brasileiras, Luciana sabe pouco. E desconhece os problemas para a formação da equipe, montada às pressas depois que parte do time permanente se rebelou contra a Confederação Brasileira do esporte. "Só sabemos que elas estão melhorando porque o técnico é argentino. Mas não dá para comparar. Temos anos de treinamentos e torneios. O time do Brasil é muito novo, começou a jogar há pouco tempo. Somos uma seleção que jogamos juntas há dez anos. Isso faz muita diferença."

Edição EDIÇÃO 16967




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