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Editoriais
Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009, 08h:44

Viagem desnecessária

Virou lugar-comum a mídia em geral noticiar, com certo destaque, as constantes idas e vindas do ex-comendador João Arcanjo, entre Cuiabá e Campo Grande (MS), para participar – apenas e tão-somente isso – de audiência sobre sua atuação, direta ou indiretamente, em diferentes tipos de crimes. Quando não vem à capital mato-grossense para servir de “testemunha” - sem, contudo, prestar qualquer tipo de depoimento e, assim, dar alguma forma de contribuição ao trabalho da Justiça -, Arcanjo aproveita o cenário para posar, até mesmo, de vítima. Em recente abordagem, este Diário, por sinal, defendeu que já era hora de se pôr um fim aos lamentáveis espetáculos patrocinados pela defesa de bandidos, que, por sinal, é notória por buscar cenários para exibições. No fim de 2007, os advogados de Arcanjo ganharam destaque ao defenderem, junto ao Judiciário e ao Ministério Público, a idéia de que o ex-chefe do crime organizado não representaria mais, por assim dizer, nenhum perigo à sociedade mato-grossense. O objetivo, obviamente, era trazer o bandido de volta para Cuiabá, onde, conforme a Polícia e o MP apuraram, ele usufruía de muitas benesses, embora estivesse preso na condição de um elemento de altíssima periculosidade. Felizmente, têm sido inúteis tais esforços. A Justiça tem estado alerta. Mas, não deixa de ser preocupante o fato de os processos envolvendo o bicheiro se arrastarem. Enquanto isso, a sociedade é obrigada a se deparar com o bandido quase sempre. E, pior, custeando as suas despesas. Bem a propósito, a desnecessária e nada alentadora presença do ex-chefe do crime organizado em audiências, na quarta-feira (26), em Cuiabá, depois de uma viagem de Campo Grande, onde está custodiado, foi duramente criticada pela promotora Ana Cristina Bardusco. Ela representa o Ministério Público na acusação de crimes contra o patrimônio público e de formação de quadrilha supostamente cometidos pelo “comendador” junto à Assembléia Legislativa. “Acho um desperdício de dinheiro público. Arcanjo está muito bem representado por um advogado competente. Não havia necessidade da presença dele”, afirmou a promotora. Os custos com a segurança, alimentação e outras despesas são altos e recaem na conta do contribuinte, que, por sinal, não guarda boas lembranças dos tempos em que o próprio Poder Público era suspeito de ser conivente com a onda de crimes que o bicheiro patrocinou, num dos maiores ciclos de violências vividos pelo Estado de Mato Grosso. O dinheiro dos cidadãos não pode ser gasto no patrocínio de uma “boa vida” para um dos maiores criminosos de todos os tempos. “Não deixa de ser preocupante o fato de os processos envolvendo o bicheiro se arrastarem”

Edição EDIÇÃO 16964




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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