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Terça-feira, 06 de Março de 2012, 21h:07

Vácuo em Brasília

República com estrutura basilar calcada no princípio federativo, o Brasil estranhamente opta por excluir de seu primeiro e segundo escalões de governo representantes políticos das quatro unidades do Centro-oeste e dos sete estados da Amazônia. O primeiro escalão do governo federal é formado por 24 ministérios, nove secretarias e seis órgãos com status ministerial. Na titularidade destas 39 funções não há nenhum nome da Amazônia e do Centro-oeste. Paradoxalmente, São Paulo ocupa nove ministérios. Mato Grosso sabe bem a diferença entre ter e não ter nomes nos altos escalões do governo. Até recentemente sua força política junto à União era representada por Luiz Antônio Pagot, na presidência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e Rodrigo Figueiredo, que era secretário-executivo do Ministério das Cidades. Pagot e Figueiredo perderam seus cargos no governo da presidente Dilma Rousseff. Quando na presidência do Dnit, Pagot elaborou importantes projetos rodoviários de interesse mato-grossense dentro e fora do Estado, a exemplo do avanço da pavimentação da BR-163, a Rodovia Cuiabá-Santarém, no território paraense. Figueiredo exerceu papel fundamental na construção de conjuntos habitacionais em Cuiabá, Várzea Grande e demais municípios. Além disso, contribuiu decisivamente para a consolidação de convênios de seu ministério com municípios nas áreas de pavimentação e saneamento. Atualmente, sem nenhum representante nas altas esferas do governo, Mato Grosso se encontra na mesma condição de seus vizinhos, ou seja, acéfalo, o que dificulta a costura administrativa, mesmo com a atuação da bancada federal. As forças políticas mato-grossenses precisam pressionar a presidente Dilma Rousseff por espaço em seu governo. Ainda que o senador republicano Blairo Maggi, que foi sondado para compor o ministério, não queira deixar o Senado para integrar a equipe presidencial, Mato Grosso não pode ficar ausente e há de encontrar entre suas lideranças nomes capazes de desempenhar bem as funções ministeriais e ao mesmo tempo defender as causas de interesse regional. Estado campeão na produção de grãos e fibras, área onde pasta o maior rebanho bovino nacional, grande centro de produção mineral e território estratégico à integração continental, Mato Grosso precisa ocupar espaço institucional na composição governamental federativa e não pode continuar como mero coadjuvante político nacional. Mato Grosso e seus vizinhos precisam formar uma frente parlamentar com apoio dos governadores da área, em busca de espaço no governo federal. Este espaço é vital para assegurar a composição das forças com poder de decisão. Por falta de força em Brasília o fundo compensatório da Lei Kandir destinado ao governo mato-grossense acaba de sofrer redução, e esse e outros problemas não existiriam se Mato Grosso tivesse assento ministerial. Mato Grosso sabe bem a diferença entre ter e não ter nomes nos altos escalões do governo

Edição EDIÇÃO 16967




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