Editoriais
Sábado, 13 de Novembro de 2010, 12h:13
A
A
Triste liderança
Preocupante liderança nacional. Este é bom título para o quadro de mortes violentas em Mato Grosso no ano passado, quando o estado alcançou os maiores índices brasileiros tanto para o sexo masculino quanto para o feminino, segundo dados apurados pelo IBGE com base nas estatísticas do registros de óbitos lavrados nos cartórios. Em 2009, para cada grupo de 100 mortes de homens (adultos e crianças) em Mato Grosso o percentual de vítimas da violência foi de 23,8% e, para as mulheres, de 7,48% sendo que ambos foram os maiores registrados no Brasil naquele período, segundo os registros lavrados nos cartórios e divulgados pelo IBGE. Nenhuma violência é aceitável e menos ainda nos níveis registrados em Mato Grosso. É difícil, porém possível mudar esse cenário desde que o estado em todas as suas esferas se junte numa cruzada com a população em defesa da vida com base no cumprimento da lei. A violência urbana no aglomerado urbano de Cuiabá assusta. Em média, desde meados da década de 1990, todos os anos 300 pessoas são assassinadas nessa região. Somem-se a essa estatística macabra as vítimas interioranas. O número elevado de homicídios e latrocínios em Cuiabá e Várzea Grande está diretamente associado ao tráfico e ao narcotráfico de drogas e precisa ser enfrentado em várias frentes, incluindo o combate policial, tratamento médico e acompanhamento psicológico dos usuários, e com a rígida aplicação da lei aos condenados por crimes nessa área. Acontece que a batalha contra os barões do pó é perdida no cotidiano, porque a União não disponibiliza e Mato Grosso não tem estrutura para enfrentar a força financeira e o poder de fogo dos cartéis, porque ambos não contam sequer com susporte penitenciário com celas suficientes para manter condenados atrás das grades. Quanto a essa realidade o governo estadual precisa reivindicar seus direitos federativos em busca de amparo de Brasília, sensibilizando o Ministério da Justiça para o fato de o estado se situar ao lado da Bolívia, que é um dos principais fornecedores do mercado mundial de cocaína e seus derivados. Além da questão das drogas há outras que contribuem para a violência. O trânsito nas rodovias tem patrulhamento limitado e sequer existem balanças rodoviárias suficientes para controlar o peso por eixo, apesar das autoridades saberem que o excesso de carga é um dos principais causadores de acidentes. Sem prejuízo da fiscalização para coibir atividades rurais análogas ao trabalho escravo, fiscais da Delegacia Regional do Trabalho e Emprego devem intensificar o monitoramento da construção civil. O IBGE não cita números absolutos, mas se o fizesse não incluiria os que sobreviveram, mas ficaram com sequelas. Além da irreparável perda humana, a violência também apresenta custo financeiro elevado ao governo no tratamento das vítimas. Mato Grosso precisa dar um basta nessa situação inaceitável e injustificável. Mato Grosso precisa dar um basta nessa situação inaceitável e injustificável