Editoriais
Quinta-feira, 31 de Maio de 2012, 21h:03
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Terminal em Itiquira
Mato Grosso não fez o dever de casa no tocante ao terminal de embarque de commodities da Seara Agroindustrial no município de Itiquira, que ora é o ponto mais ao norte da Ferrovia Senador Vicente Vuolo, explorada por concessão federal pela América Latina Logística (ALL). Amanhã, o ministro dos Transportes; Paulo Sérgio Passos; o governador Silval Barbosa; e outras autoridades participarão da solenidade de inauguração do referido terminal, que opera limitado e em caráter experimental desde o final de abril. Esta unidade de transbordo de cargas do sistema rodoferroviário tem capacidade para embarque anual de 2,5 milhões de toneladas nos trens da ALL rumo ao porto de Santos e exigiu investimento de R$ 40 milhões. O corte da fita simbólica do terminal não significará o começo de sua plena operacionalização. Isso, porque a pavimentação da rodovia MT-299, que é seu único acesso rodoviário, não foi concluída. Sem asfalto ao terminal da Seara, no período das chuvas de outubro a abril torna-se muito difícil o tráfego das carretas e bitrens no trecho de 17 quilômetros na MT-299 (seu principal acesso) no sentido sul em direção à rodovia BR-163. No rumo oposto, para Itiquira, distante 12 quilômetros, não há possibilidade de tráfego pesado, independentemente da época do ano, porque uma ponte de madeira sobre o córrego Roncador não permite a passagem das cargas para embarque. Não era segredo para ninguém que o trem avançava desde julho de 2009, de Alto Araguaia aonde os trilhos chegaram em agosto de 2002 para Itiquira, num trajeto de 110 quilômetros. Mesmo assim, o Estado não conseguiu assegurar acesso pavimentado ao terminal. A expansão da malha ferroviária em Mato Grosso, que levou os trilhos a Itiquira, integra o projeto Rondonópolis, da ALL, que investe no mesmo R$ 750 milhões. Esta obra será concluída no próximo ano, quando o trem apitará em Rondonópolis avançando 138 quilômetros rumo norte após o terminal da Seara, cujo trecho está em execução. Em Itiquira não há mais como recuperar o tempo perdido. O terminal daquela cidade deveria ter entrado em operação no mês de dezembro do ano passado, mas por falta de acesso pavimentado sua obra foi tocada em ritmo lento, por óbvias razões. Há uma justificativa política para o atraso do começo da operacionalização do terminal: a demora em se obter a licença de operação, que é concedida pelo Ibama. Porém, se a obra estivesse pronta, não haveria nenhuma barreira para complicar sua inauguração. A solenidade em Itiquira merece ser comemorada por todos em Mato Grosso, porque significa expansão dos trilhos e consequentemente a melhoria do sistema de transporte em busca do porto de Santos. Porém, o percalço no tocante ao asfalto que não foi construído na MT-299 tem que acender a luz amarela para outras obras estruturantes e deve motivar o governo na criação de mecanismos que consigam retirar o terminal da Seara do isolamento em que se encontra. Que a situação ora vivida por Itiquira no setor de transporte não se repita em Rondonópolis. O corte da fita simbólica do terminal não significará o começo de sua plena operacionalização