Editoriais
Terça-feira, 01 de Setembro de 2009, 08h:55
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Semana da Pátria
Mais do que nunca, o Brasil precisa do ardor cívico de seu povo. O país se encontra a um passo do abismo moral, empurrado pela corrupção recorrente e a impunidade deslavada. Somente a união nacional é suficientemente forte para evitar o pior. O momento é apropriado para se refletir sobre isso. Inicia-se hoje a Semana da Pátria, com ponto alto no dia 7, data em que são celebrados os 187 anos da Independência do Brasil. Cabe ao conjunto da sociedade uma grande reflexão nacional sobre a corrosão das instituições. Para cada ato incompatível com as liberdades democráticas, que fira direitos individuais ou coletivos, para cada atentado contra a instituição, o povo tem que reagir com sabedoria e senso de nacionalismo, porque o que está em jogo não é a figura jurídica do Estado e sim a conduta de quem atenta contra esse Estado e sua gente. A Semana da Pátria não se encerra nos desfiles, nos shows populares e nos demais eventos que a cercam Brasil afora. Acima de tudo, ela é um forte chamamento à cidadania plena. Compete ao cidadão mudar o curso da condução de seu país, e essa tomada de atitude não se limita ao voto, muito embora o exercício das urnas seja o ápice do regime democrático em que vivemos. Essa mudança passa por cobranças permanentes do liderado ao seu líder, do sindicalizado ao dirigente de sua organização sindical. Enfim, passa pela revisão dos conceitos que até agora limitam o descontentamento coletivo às críticas em reuniões sociais, no trabalho e nos desabafos inconsistentes. Independência implica em viver num país socialmente justo, ecologicamente correto e com direitos e deveres iguais para todos. Independência é um país da dimensão continental do Brasil ocupar o lugar que lhe está reservado no contexto das nações. Independência é assegurar o direito de propriedade sem ingerência direta ou indireta do Estado sobre as matrículas das escrituras registradas em cartório. Independência é o Estado não recuar diante do crime organizado e da violência banalizada. Independência é saúde pública de qualidade. Independência é respeitar a pluralidade racial e étnica, é assegurar liberdade de credo, de expressão e o direito de ir e vir. O Brasil, Mato Grosso e Cuiabá precisam da plena Independência. Não basta a Independência rotular. É preciso mais, mas para tanto será preciso lutar, cobrar, ser vigilante... Que individualmente todos façam desta Semana da Pátria o marco do começo de uma nova era. De uma era desejada pelo inconsciente do pai que tem dificuldade para alimentar os filhos, da mãe que chora o caçula assassinado pelo narcotráfico, do proprietário que vê o arame de sua cerca arrombado pela balbúrdia agrária. Nenhuma barreira resiste a força popular, desde que contra ela se levantem as vozes da razão. O Brasil, Mato Grosso e Cuiabá precisam da plena Independência