Editoriais
Sábado, 04 de Julho de 2009, 10h:39
A
A
Saneamento deficiente
Definidas as 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, as atenções, agora, se voltam para as ações que as cidades planejam com vistas às obras de infraestrutura básica. Projeções do Governo do Estado indicam que, nos próximos cincos anos, nada menos do que R$ 5 bilhões serão investidos na capital mato-grossense. Como revelou o governador Blairo Maggi (PR), esse montante será canalizado entre o Executivo e a iniciativa privada. Um caixa especial, a propósito, foi criado pelo Estado para a construção de um novo estádio de futebol, condição primordial para que a capital sedie jogos. Essa obra deverá ter aporte de recursos financeiros privados, até em atendimento a uma das muitas exigências da Fifa. Entre as grandes obras, dentro do projeto Cuiabá na Copa 2014, destacam-se a ampliação da malha viária, com a construção de avenidas e viadutos; melhoria no trânsito e no sistema de transporte urbano; reforma (ou construção) do aeroporto; ampliação das redes hoteleira e hospitalar; melhoria sensível na área da Segurança Pública, entre outras ações básicas e estratégicas. Curiosamente, não se tem notícia de algum projeto voltado para a Copa que contemple uma das áreas mais sensíveis no contexto da infraestrutura urbana o saneamento. Exceto as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por si só, polêmicas, desconhece-se a existência de algum projeto grandioso para o setor. Além de curiosa, a questão adquire proporções preocupantes, considerando que a situação de Cuiabá, no aspecto do saneamento básico, em relação às demais futuras sedes da Copa, não é das mais confortáveis. Com efeito, é oportuno destacar reportagem que este Diário publicou na edição de ontem, e que revela, por exemplo, que a capital de Mato Grosso ocupa, hoje, o nono lugar no ranking geral de saneamento básico, entre as 12 cidades-sedes. Realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o estudo revela, por exemplo, que Cuiabá, onde o saneamento fica por conta de uma autarquia municipal (Sanecap), está à frente apenas de Natal (RN), Recife (PE) e Manaus (AM). Curiosamente, o estudo aponta que o índice de atendimento total de água na Capital é de 100%. Obviamente, essa revelação deixa intrigados moradores que, mais do que ninguém, sabem o que é falta de água. De fato, um rápido levantamento do jornal, no bairro Doutor Fábio, revela que os números da FGV podem não corresponder à realidade dos cuiabanos, especialmente os da periferia. Lá, água é uma raridade, mas a conta mensal nunca falha. A euforia pela Copa de 2014, como se vê, não pode contagiar determinados setores, a ponto de esquecerem que Cuiabá é uma cidade carente de saneamento básico. Os números da pesquisa podem não corresponder à realidade dos cuiabanos, especialmente os da periferia