Editoriais
Sábado, 12 de Fevereiro de 2011, 13h:58
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Pura realidade
Tema excluído das discussões políticas, a possibilidade de que nem todas as obras do projeto de mobilidade urbana de Cuiabá e Várzea Grande, para a Copa do Pantanal sejam executadas, é tabu mantido sob o tapete. Porém, essa possibilidade não pode nem deve ser desconsiderada e, por essa razão, precisa ser debatida com a população sem nenhum rodeio, com a franqueza que a situação exige. A conquista de uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 por Cuiabá traz inúmeros benefícios para o aglomerado urbano da Capital e para Mato Grosso sendo que o item futebol razão de ser do evento da FIFA - é o que menos pesa nesse contexto, que indiscutivelmente é ancorado na melhoria do sistema de trânsito e transporte. O trânsito em Cuiabá sofre estrangulamento nas principais vias e rotatórias, inclusive fora dos horários de pico e até mesmo em feriados e finais de semana. Isso ocorre porque ao longo do tempo a administração pública da quase tricentenária cidade de Moreira Cabral não se preocupou em adequá-la às previsíveis transformações e aos recados dos indicadores econômicos e sociais que apontavam para vertiginoso crescimento populacional; o mesmo aconteceu em relação a Várzea Grande, que forma conurbação com a Capital. A precariedade da malha viária urbana em Cuiabá e Várzea Grande foge à capacidade orçamentária dos dois municípios. Sua vitalização depende de ações da União e do Estado, fato esse que ocorrerá em razão da Copa do Pantanal. Porém, o quê da questão é saber até onde essa demanda será atendida dentro do cronograma estabelecido pela FIFA, sem o qual não haveria a conquista da Copa do Pantanal. Existe vontade coletiva pelas obras de mobilidade urbana. Porém, na individualidade, o proprietário de imóvel objeto de desapropriação para construção de viaduto ou passagem de nível recorrerá judicialmente se a indenização oferecida pelo poder público não for satisfatória. Essa reação ocorrerá sob efeito cascata calcada no princípio do direito de propriedade assegurado constitucionalmente. Mas, esse não será o único entrave: não se pode descartar a possibilidade de enxugamento do fluxo de recursos por parte da União. Cuiabá é a sede da Copa do Mundo de 2014 que precisa do maior volume de recursos para obras sem computar o custo da construção ou reforma de estádio. Oficialmente, a meta do governador Silval Barbosa é executar todo o cronograma, mas é preciso ponderar que isso não será possível pelos fatos acima citados e por outras razões, inclusive por questões ambientais. Portanto, sem prejuízo do projeto Copa do Pantanal em si é preciso debater essa questão com a população, fugir do faraonismo publicitário, buscar a união política em todas as esferas, mobilizar a população em defesa do maior número possível de obras e lutar muito para que em breve Cuiabá e Várzea Grande tenham trânsito melhor, humanizado e que possa chegar ao ponto ideal com algumas obras complementares após o apito final do último jogo da Copa do Pantanal. A conquista de uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 por Cuiabá traz inúmeros benefícios