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Editoriais
Quinta-feira, 06 de Setembro de 2012, 21h:06

Projeto de nação

Em 2022, daqui a 10 anos, o Brasil completará 200 anos de sua independência política. Pois essa data histórica, que merecerá comemorações do país, está sendo posta como prazo para um projeto nacional da maior importância: o de fornecer a todas as crianças e jovens do Brasil acesso a um ensino básico que os prepare para os desafios do século. Trata-se do Compromisso Todos pela Educação, que com apoio de amplas áreas da sociedade brasileira foi lançado ontem, no Museu do Ipiranga, em São Paulo. A mais importante linha de força do projeto é a constatação de que "a educação é o único caminho que, de forma consistente e sustentável, pode reduzir a pobreza e as desigualdades e promover nosso desenvolvimento social e econômico". A comprovação mais evidente de que a educação em todas as suas acepções e alcances é fator decisivo para a construção de sociedades desenvolvidas está viva não apenas na experiência pessoal, familiar ou regional, mas é evidente de maneira especial na prática das nações mais prósperas. Nenhum país que fracassa na educação consegue qualquer das outras condições que possam ser critério de desenvolvimento. Já ninguém duvida de que a educação deve ser vista não só como um avanço social, mas também como um bem econômico. Um país desenvolvido não é aquele que acumula poupança ou investe em infraestrutura, como se o desenvolvimento fosse a soma desses e de outros fatores. É preciso que a esses parâmetros físicos se some uma melhoria no nível do capital humano. Já temos dito que, para superar as aflições nacionais que se sucedem em várias frentes e que são, isoladamente ou em conjunto, entraves a que o país conquiste o sempre ambicionado desenvolvimento, não bastará que contemos com o patrimônio natural inigualável, presente num território fértil. Não bastará que o mundo nos veja como país do futuro, com reservas subaproveitadas e capaz de figurar mais adiante, na próxima curva da História, entre as potências do século. Não será suficiente que investidores internacionais resolvam, sem temores infundados, apostar em nossa potencialidade. Tudo isso será necessário. Mas não será suficiente. As potencialidades do país só terão chances de frutificar se forem regadas pelos canais da educação, que um especialista norte-americano, o cientista social Lester Thurow, qualificou com toda a razão como "a única fonte de vantagem competitiva sustentável a longo prazo". Por estas razões, o Brasil deve olhar com atenção para o Compromisso Todos pela Educação, que nesta semana começa a ganhar visibilidade. Ele conclama o país para a verdadeira independência, que será motivo de orgulho se, até 2022, no bicentenário do Grito do Ipiranga, cada criança que nascer a partir de agora tiver acesso a uma educação pública de qualidade. “A educação é o único caminho que pode reduzir a pobreza e as desigualdades”

Edição EDIÇÃO 16963




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