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Editoriais
Sexta-feira, 01 de Abril de 2011, 20h:26

(Pró-)Álcool

Cartelizados na OPEP os produtores de petróleo provocaram grave crise econômica mundial em 1973 que teve efeitos sobre o Brasil. Para quebrar a dependência brasileira de combustível o presidente Ernesto Geisel criou em 1975 o Programa Nacional do Álcool (Pró-álcool). Tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros criou a alimentação de motores à explosão por álcool, o que resultou nos veículos flex. Surgia assim o caminho para tirar o Brasil da dependência externa de um insumo estratégico, o petróleo. A meta de Geisel, de produzir combustível de origem vegetal, não-poluente, que gerasse emprego no campo, estimulasse o setor agroindustrial e que permitisse ao Brasil exportar gasolina para a Europa e outros mercados onde o fator climático impede o uso de veículo a álcool ganhou a simpatia do povo brasileiro. Porém, pressões internacionais e revanchismo de políticos que sucederam o regime militar de 1964 – ao qual Geisel pertencia – sufocaram o Pró-álcool. Décadas depois de hibernada a produção de veículos flex foi retomada pelas montadoras e o carro movido a gasolina perdeu espaço no mercado. Estranhamente o setor sucroalcooleiro, que é altamente lucrativo, deixou de produzir álcool suficiente para a demanda da frota nacional. Ao invés de intervir junto aos usineiros e sindicalistas da área o governo federal se encolheu em estranha conivência. O resultado do encolhimento do governo federal é catastrófico: o álcool perdeu a competitividade para a gasolina, as usinas optaram pela produção de açúcar e, pior, não se vislumbra saída imediata para a crise que se instala no dia-a-dia, porque o ciclo vegetativo da cana somente permite um corte anual e construção ou ampliação de usina é empreendimento relativamente demorado. A classe política mato-grossense, sobretudo a bancada federal, tem sido de incompreensível omissão no tocante ao álcool. Recentemente o Estado foi satanizado por produzir cana e penalizado com um zoneamento que exclui expansão ou novos cultivos da lavoura canavieira na Bacia do Pantanal. Esse fato que cria impeditivo ao desenvolvimento econômico e não sofre questionamento dos parlamentares, que também se calam diante do absurdo do torniquete ao álcool enquanto milhões de hectares já antropizados permanecem degradados sendo que parte dessa área poderia ser transformada em lavoura canavieira geradora de emprego, produtora de combustível limpo e canal para permitir exportação de gasolina. Até quando a classe política mato-grossense se manterá apática diante da mordaça imposta ao cultivo da cana e a produção de álcool, ninguém sabe. No entanto, todos sabem que o zoneamento da cana em Mato Grosso é parte de uma orquestração para tolher o desenvolvimento nacional, forçar êxodo rural, inchar a periferia das cidades, agravar o quadro social e estimular a violência que nasce com os crimes famélicos. Em nenhum lugar do mundo se vê tanta resignação popular diante de uma situação como essa, que demonstra que perdemos o combustível propriamente dito e o combustível da cidadania. Em nenhum lugar do mundo se vê tanta resignação popular diante de uma situação como essa

Edição EDIÇÃO 16967




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