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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009, 23h:39

Prática do recesso

Hoje, ao término do expediente nas repartições públicas, Mato Grosso mergulha num amplo recesso dito branco, que não exclui nenhum dos poderes e, assim, permanece até a segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010, após a semana do Carnaval, a exemplo do que acontece nos demais estados. A cultura do recesso de final de ano na área institucional é prática arraigada e prejudica o funcionamento da atividade na iniciativa privada, afeta o ritmo administrativo da área do Executivo, retarda tramitação processual e legislativa, além de criar outros embaraços. Oficialmente o recesso não afeta o atendimento ao cidadão. Os órgãos montam plantões para o período, mas como o próprio nome sugere não se trata de funcionamento como se verifica nas demais épocas do ano. Da parte do poder público não há nenhuma iniciativa no sentido de se abolir a prática do recesso dito branco. A solução seria a mobilização da população com a força do clamor das ruas. Porém, o povo brasileiro sente-se a tal ponto desmotivado e descrente que não tem força para esboçar nenhum tipo de reação. Diante dessa prática não resta alternativa ao cidadão a não ser esperar o tempo passar, para que retome suas demandas junto aos órgãos públicos. Essa é a regra, e nos anos em que acontecem eleições e se disputa Copa do Mundo a situação torna-se ainda mais complicada, como será o caso em 2010. Em fevereiro, quando o funcionamento do poder público voltar à normalidade, o Brasil estará voltado para dois fatos que envolvem paixão e interesses, e que mobilizam todos os segmentos sociais. A Copa do Mundo literalmente para o Brasil. O brasileiro entra numa espécie de transe coletivo na torcida pela Seleção Canarinho, que em 2010 disputará o hexa na África do Sul. Em outubro o Brasil vai às urnas eleger seu próximo presidente, governadores, dois terços do Senado e as novas legislaturas da Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e a Assembleia Distrital do Distrito Federal. O processo eleitoral, oficiosamente já deflagrado, ganha corpo em meados do ano com as convenções partidárias e o lançamento oficial das campanhas. Com o chamado ano civil manga curta e permeado pela Copa do Mundo e eleições não se pode esperar bom desempenho administrativo nas diversas esferas do Executivo, nem forte atuação parlamentar porque o universo político estará com os olhos voltados para a conquista, reconquista ou continuidade do poder. Nesse cenário o poder público baixa as portas e Mato Grosso entra num longo hiato que desembocará em outubro – ou novembro dependendo ou não da realização do segundo turno de eleição para o governo – na ordem política que terá o controle político do estado a partir do recesso branco de 2010/11. Essa prática precisa mudar. “A cultura do recesso de final de ano na área institucional é prática arraigada”

Edição EDIÇÃO 16967




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