Editoriais
Terça-feira, 28 de Outubro de 2014, 19h:37
A
A
País dividido
O mapa com os resultados da eleição presidencial mostra claramente as divisões regionais entre o Brasil mais industrializado e o Brasil que, em grande parte, ainda depende de estímulos oficiais para assegurar melhor padrão de vida para os cidadãos. Porém esta cisão, aguçada pelo fato de a disputa ter sido a mais acirrada da história recente, não pode servir de pretexto para a continuidade do clima belicoso que se aprofundou no segundo turno. Por isso, desde já e em seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff precisará trabalhar para conter os radicais de um e de outro lado. É preciso pacificar a nação, levando o desenvolvimento sustentado às regiões mais pobres, com ênfase no fomento ao setor produtivo. Diante dos efeitos da polarização nos resultados das urnas, é compreensível que a presidente reeleita já tenha rejeitado a ideia de um país dividido e, ao mesmo tempo, feito um chamamento à paz e à união. Essa intenção, para se transformar em prática, vai depender da escolha de interlocutores qualificados. O diálogo é o melhor caminho para a construção de um processo de reconciliação em torno de uma agenda de interesses comuns a quem ficou de um lado ou de outro, evitando-se que o tom belicoso leve a inaceitáveis apartheids políticos. O desafio é ainda maior pelo fato de essa divisão se refletir também na futura composição do Congresso e na nova configuração dos Estados, a partir da posse dos governadores eleitos ou reeleitos. Num clima de beligerância como o legado pela campanha, o risco é de que os futuros parlamentares possam impor um preço elevado para garantir apoio ao governo. Por isso, as negociações precisam envolver políticos habilidosos. Os votos nas urnas refletem mais peculiaridades de renda do que regionais, embora ambas coincidam em grande parte. A aproximação entre os diferentes Brasis não depende apenas de ações sociais, mas de políticas econômicas adequadas para sustentá-las e permitir melhor distribuição de renda. A alternativa para unificar o país, encurtando diferenças sociais, é o crescimento econômico sustentado, para o qual a presidente, ao final do primeiro mandato, ainda não apontou um caminho. A alternativa para unificar o país, encurtando diferenças sociais, é o crescimento econômico sustentado