País também caracterizado por fortes contrastes sociais o Brasil nunca tentou resolvê-los com política nacional que observe as atipicidades estaduais e até mesmo municipais. O Estado opta por criação de monstrengos de abrangência regionalizada, que contemplam políticos com cargos para apaniguados ordenadores de despesas. Ontem, o Diário Oficial da União publicou ato da presidente Dilma Rousseff recriando a Superintendência Regional do Centro-Oeste (Sudeco), originalmente criada em 1º de dezembro de 1967 e extinta pelo presidente Collor, em 1990, juntamente com outras instituições. A Sudeco ressurge com atribuição de definir e metas econômicas e sociais para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Seu regresso à cena administrativa sepulta a Secretaria Regional do Desenvolvimento do Centro-Oeste, que até então é secundária peça da engrenagem administrativa federal e funciona sob forte direcionamento de políticos da sua área de abrangência. Sudeco, Sudam, Sudene e qualquer outras peça da engrenagem regionalista é sempre desagregadora da redução dos desníveis econômicos e sociais, porque sua visão é limitada e não lhe permite enxergar além dos contornos de sua área de atuação. O Brasil precisa entender que o problema que aflige Vila Rica é o mesmo que afeta seu vizinho Santana do Araguaia no Pará. Nenhuma política pública doméstica funciona quando se trata de assunto macro, que transcende divisas. A Sudeco será boa para os políticos que participarem de sua direção indicando sua direção e ainda que jamais admitam direcionarem linhas especiais de crédito ao empresariado que compõe sua base política. O Centro-Oeste é muito grande e complexo para se deixar manietar por uma superintendência regional e seus estados precisam é de tratamento uniforme com os demais entes federativos. A complexidade do Centro-Oeste é tamanha, que Mato Grosso é ao mesmo tempo Estado desta e da região Amazônica. Uma área assim não pode se deixar engessar por políticas setorizadas e exige tipo de tratamento que trate todos os estados com igualdade, sem prejuízo de atendê-los em suas necessidades. O que a economia mato-grossense e dos demais entes da região - precisa é de incentivos para produzir sem sofrer as pressões ambientais e agrárias que sofre, sem a penalização que a insuportável carga tributária lança sobre sua lucratividade e sem pagar as altas taxas de juros para que possa gerar mais empregos e distribuir renda. A volta da Sudeco cria mais uma sigla federal, abre postos de trabalho comissionados, embaralha ainda mais a confusa relação do empresariado com o governo federal. Para políticos representa possibilidade de ampliação do poder de aliados do governo. Para o empresariado que produz significa mais uma interrogação no universo sem resposta prática e objetiva. Significa mais uma interrogação no universo sem resposta prática e objetiva