Editoriais
Quarta-feira, 06 de Outubro de 2010, 19h:47
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No caminho certo
Psicólogos, sociólogos e autoridades policiais reconhecem que ao invés de ressocializar, o sistema penitenciário brasileiro animaliza o reeducando. A expressão animalizar pode parecer dura, mas infelizmente, de modo geral, traduz a essência da verdadeira escola do crime que existe por trás dos muros das penitenciárias e das grades das cadeias temporárias em todas as unidades da Federação. A questão carcerária normalmente ganha destaque nos meios políticos quando dos períodos eleitorais, em que muitos candidatos apresentam propostas capazes de solucionar todos os problemas administrativos e sociais em seus estados ou municípios. Ontem, transcorridos quatro dias da eleição ao governo, o governador reeleito Silval Barbosa (PMDB) concedeu entrevista coletiva no Palácio Paiaguás para abordar a campanha eleitoral, o encerramento do mandato em curso e seus planos para o próximo quadriênio. O primeiro anúncio de Silval na coletiva foi sua meta de construir um presídio industrial produtivo, o quanto antes. O governador não falou sobre localização, porque esse tema é delicado, uma vez que todos, indistintamente defendem a construção de penitenciárias, mas nenhum prefeito ou vereador as quer em seus municípios. Após a coletiva, falando separadamente com jornalistas Silval demonstrou sua preocupação com a ressocialização da população carcerária e a humanização do cumprimento das penas impostas pela lei, destacando que o trabalho exercido pelo preso também contribui para a redução do tempo de seu encarceramento. Secundando o governador, o secretário de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado, observou que em Mato Grosso existe unidade penitenciária para o cumprimento do regime semiaberto, que é a Colônia Penal de Palmeiras, na localidade do mesmo nome, município de Santo Antônio de Leverger, onde atualmente 20 presos trabalham na atividade agropecuária. Curado observou que Palmeiras é pequena e que sua capacidade é para uma população de 60 homens, destacando que Silval visitará aquele presídio na próxima semana, quando anunciará medidas para modernizá-lo com a criação de alternativas de trabalho, que inclui a instalação de um laticínio no local. O secretário avalia como positivo a construção do presídio industrial produtivo e a modernização de Palmeiras, o que segundo ele desafogaria a rede do sistema prisional, com 62 unidades em Cuiabá e nos municípios interioranos, que recolhe em média 12 mil presos condenados e temporários dos dois sexos. Mato Grosso dá sinais que avançará na questão penitenciária, a julgar pelo anúncio do governador e a fala de Curado. A preocupação demonstrada por Silval quanto à ressocialização e a humanização dos presos lança um facho de luz sobre um dos mais graves problemas mato-grossenses, que é a insalubridade prisional, condição essa que revolta presos e seus familiares e deixa o estado na contramão de seus deveres para com a população carcerária sob sua tutela e guarda. Silval demonstrou sua preocupação com a ressocialização da população carcerária