Editoriais
Quinta-feira, 08 de Março de 2012, 23h:05
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Miguel Chama
Homem com visão muito além de seu tempo, o pecuarista radicado em Cuiabá e com investimentos nos municípios de Barra do Bugres e Porto Estrela, Miguel Jorge Chama, escreveu uma das mais importantes páginas do sindicalismo patronal mato-grossense nos últimos tempos. Aos 82 anos, Miguel Chama perdeu a luta pela vida, ontem, depois de longo período de internação numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Amecor, em Cuiabá. Seu corpo foi velado por familiares, amigos, admiradores e conhecidos na Capela Jardins e será sepultado hoje, no Cemitério Parque Bom Jesus, na Capital mato-grossense. Miguel Chama presidiu e foi diretor da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), integrou a direção regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural(Senar), dirigiu o Sindicato Rural de Barra do Bugres, presidiu o Conselho Deliberativo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Mato Grosso e ocupou outros relevantes cargos na área da representação classista em mais de 30 anos de militância. Discreto, avesso à promoção pessoal, Miguel Chama não era figura muito conhecida fora de sua atividade na pecuária e de sua militância nos meios sindicais. Porém, sua grande capacidade de articulação, seu conhecimento da realidade mato-grossense e sua permanente disposição ao trabalho faziam dele um dos principais interlocutores de seu segmento com os meios políticos. Presidindo o Conselho Deliberativo do Sebrae, Miguel Chama liderou o grupo que convenceu o governador Dante de Oliveira (1995/2002) a doar o terreno para a construção do Centro de Eventos do Pantanal, que é a maior e melhor área local para a realização de convenções, seminários e outros tipos de promoções que reúnem grande público. A conquista do terreno para a construção do Centro de Eventos do Pantanal, a elaboração de seu projeto e sua obra tiveram acompanhamento permanente de Miguel Chama. No ato da inauguração, tomado por forte emoção, sua voz ficou embargada e ele se viu obrigado a cortar a fita inaugural em silêncio, com os olhos marejados. A construção da moderna sede da Famato no Centro Político e Administrativo (CPA) de Cuiabá também levou as impressões digitais de Miguel Chama, que à época integrava a diretoria daquela instituição então presidida pelo pecuarista José Antônio de Ávila, o Zeca DÁvila. Os prédios do Centro de Eventos do Pantanal e da sede da Famato testemunham a visão de Miguel Chama. O primeiro facilita a realização de eventos da Cuiabá prestadora de serviços no âmbito regional. O outro é considerado um dos mais modernos do sistema liderado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Obra física salta aos olhos e não como há negá-las ou desqualificá-las. Porém, além da capacidade de empreender, Miguel Chama tinha uma grande virtude: era humanista de berço e de igual modo respeitava seus pares e servidores. Sua partida deixa pegadas que devem ser seguidas por todos os que optarem por viver pelo próximo e não apenas passar pela vida. Além da capacidade de empreender, Miguel Chama tinha uma grande virtude: era humanista