Ontem, em seu primeiro dia de provas, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deu uma boa e prática lição sobre trânsito ao município de Cuiabá. A cidade enfrentou longos e demorados engarrafamentos nos gargalos de acessos aos locais das provas. Na segunda e última etapa do Enem, hoje, o ensinamento se repetirá. A lição de ontem mostrou às autoridades de trânsito que os engarrafamentos aconteceram mais por ineficiência do controle do fluxo de veículos do que em razão da acanhada infraestrutura viária da cidade. A prefeitura, gestora dessa área, deveria rever conceitos e metodologia operacional para impedir a repetição do caos e também como preparação para o Mundial da Fifa em 2014. Mais de 109 mil estudantes se inscreveram para o Enem e a maioria faz as provas em Cuiabá. A prefeitura tinha conhecimento de tal fato e, no entanto, não se preparou para assegurar o fluxo de veículos sem tantos transtornos aos cidadãos e até mesmo aos que se dirigiam aos locais das provas para se submeterem ao exame. Os Amarelinhos da prefeitura tiveram muito trabalho, porém alcançaram baixo rendimento. Isso, porque eles se concentravam nos pontos de estrangulamento tentando combater o efeito de uma causa que era deixada de lado. O correto seria a sinalização do agente no ponto de estrangulamento, desde que simultaneamente houvesse fiscalização do trânsito nos trechos alimentadores. Para que isso fosse posto em prática seria preciso a participação da Polícia Militar, porque o quadro funcional da prefeitura é limitado nessa área. Para evitar o congestionamento nas rotatórias e outros acessos aos locais das provas seria preciso que a fiscalização começasse algumas quadras antes desses pontos e que o trânsito fosse dirigido de tal modo que os veículos não provocassem o chamado engavetamento sem danos materiais, que é a parada forçada nos cruzamentos. O que aconteceu ontem foi falta de logística operacional por parte da prefeitura. Para que tal situação não se repita hoje, nem em outras datas que tradicionalmente aumentam o fluxo de veículos será preciso que haja ações transversais entre estado e município e que a execução de tais operações seja a mais objetiva possível. A necessidade de investimentos no sistema viário de Cuiabá é de domínio público. Mas, a solução para o caos no trânsito não depende apenas de recursos públicos, embora os mesmos sejam imprescindíveis. Além de orçamento o trânsito necessita de ordenamento, e isso, convenhamos, exige somente competência. Que o percalço de ontem inspire a Agecopa, prefeitura e o governo de Mato Grosso para que desenvolvam ações de engenharia de trânsito. Cuiabá não pode mais permanecer enquanto cidade estrangulada. É hora de trocar o derrotismo pela criatividade administrativa. Cuiabá não pode mais permanecer enquanto cidade estrangulada. É hora de trocar o derrotismo pela criatividade