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Editoriais
Sexta-feira, 19 de Julho de 2013, 20h:34

JMJ, Buda e Cuiabá

País predominante cristão, o Brasil é laico e não enfrenta problemas com conflitos religiosos, mas é palco de intolerâncias pontuais com alguns credos asiáticos e africanos, que ao longo da formação cultural desta nação foram estigmatizados e, em alguns casos, satanizados, pela orientação dogmática que nunca primou pela ordem ecumênica. O Rio de Janeiro que é conhecido mundialmente como berço do samba, do futebol e por suas praias onde jovens mulheres exibem corpos dourados e esculturais, na próxima semana será cenário do maior evento católico do planeta, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). De 23 a 28 deste mês mais de um milhão e meio de jovens brasileiros e do exterior estarão no Rio para a JMJ, que será presidida pelo papa Francisco. O ato religioso em si é exclusivo da Igreja Católica Apostólica Romana, que o promove com apoio do governo federal, do Estado do Rio de Janeiro e da prefeitura do Rio. A movimentação turística que movimenta a economia é de interesse coletivo. Mesmo em se tratado do Rio, que é um dos principais roteiros turísticos do mundo, a JMJ será evento extraordinário ao faturamento da rede hoteleira, do setor de alimentação e lazer, e enfim, da cadeia econômica carioca. Durante, antes e depois do evento o comércio local terá um período de boas vendas. Não se trata apenas de movimentação comercial no nicho do mercado religioso, mas da universalização comercial, porque uma legião de quase dois milhões de consumidores numa cidade, por mais de uma semana, abre imenso leque de compras. O faturamento do Rio – e também do Brasil – com a JMJ será muito maior do que a receita com o turismo esportivo na Copa do Mundo de 2014, principalmente quando se leva em conta a relação investimento em obra física-retorno daquela competição esportiva. No começo de 2002 o monge budista e presidente do Instituto Terra da Paz, Gustavo Alberto Corrêa Pinto, esteve em Cuiabá onde tentou convencer autoridades da viabilidade de um projeto que guardava na manga da camisa: a construção de uma estátua de Buda, com 108 metros de altura, no Morro do Japão, em Chapada dos Guimarães. O monge explicou que uma estátua de Buda, construída há dois mil anos, com a metade da altura prevista para sua similar em Mato Grosso. foi destruída em março de 2001, em Bamyian, no Afeganistão, por radicais talibãs. Gustavo argumentou que os budistas buscavam outro local para reerguerem nova estátua e que a escolha recaiu sobre Chapada. A intransigência ambiental do Ministério Público e o radicalismo religioso impediram que o projeto fosse adiante. A realização da JMJ leva à reflexão sobre a decisão tomada em Cuiabá há 11 anos. O projeto da estátua de Buda em Chapada não se limitava à construção em si. Ele era muito abrangente e estava calcado no planejamento para se criar um roteiro budista no centro da América da Sul. Para tanto contaria com a construção de hotéis, restaurantes e uma vasta infraestrutura para receber japoneses, tailandeses e outros povos asiáticos – e também dos outros continentes. Fica a lição. A realização da JMJ leva à reflexão sobre a decisão tomada em Cuiabá há 11 anos

Edição EDIÇÃO 16967




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