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Editoriais
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009, 20h:56

Insegurança e impunidade

Em recente entrevista a este Diário, o promotor Célio Wilson de Oliveira chamou a atenção ao afirmar que nem 10% dos integrantes da quadrilha especializada em grilagem de terras e estelionato, desarticulada durante a Operação Pluma, estão recolhidos ao xadrez. “Os operadores da organização criminosa (pistoleiros) continuam agindo na região do Araguaia. E grande parte deles é de policiais militares ou reformados”, denunciou o promotor. É bem verdade que alguns “cabeças” do esquema estão presos, o que representa um passo muito importante no contexto da operação. O principal líder da quadrilha, Gilberto Luis Rezende, o “Gilbertão”, no entanto, ainda é procurado pela Polícia Federal. O mandado de sua prisão, decretado pela 1ª Vara Federal, ainda está em aberto. Há motivos de sobra para que a PF dê prioridade à prisão do grileiro. Ao que consta, ele possui residência em São Félix do Araguaia (1.200 km a Nordeste de Cuiabá) e é apontado como o principal invasor da reserva indígena Maraiwatsede, em Alto Boa Vista. Com a ocupação da terra e a posterior venda ilegal, o suposto fazendeiro passou a movimentar, em sua conta bancária, pelo menos R$ 7 milhões, entre 2003 e 2005, segundo o MPE. A prisão de criminosos contumazes, como Gilbertão e o ex-prefeito de Porto Alegre do Norte, Luiz Machado, o “Luiz Bang-Bang”, pode fazer com que a população da região do Araguaia sinta mais segurança para denunciar outras ações truculentas do bando, sobretudo, casos de homicídios. Como disse o promotor Célio Wilson, a partir do momento em que as pessoas de lá tiverem segurança de que os envolvidos estão sendo punidos e ficarão na prisão, muitos outros crimes serão esclarecidos, porque ninguém se sentirá intimidado para falar. Hoje, o medo impera na região. O Ministério Público cumpriu sua parte, ao formular a denúncia que levou à desarticulação da quadrilha; da mesma forma como a Polícia Federal, que efetuou as prisões. A fatura, no entanto, ainda não está liquidada, pois, enquanto os pistoleiros continuarem na ativa, a população permanecerá com medo, insegura. A sociedade também aguarda ansiosa uma resposta por parte do Comando da PM. Afinal, os seis oficiais presos como integrantes do “braço fardado” da quadrilha de grileiros já estão em liberdade. A impunidade desse tipo de gente é flagrante, na medida em que alguns dos militares serão, oportunamente, “premiados” com a reserva remunerada da corporação. “A sociedade também aguarda ansiosa uma resposta por parte do Comando da PM”

Edição EDIÇÃO 16967




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