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Editoriais
Terça-feira, 28 de Maio de 2013, 19h:52

Fim da pobreza

A perspectiva de combate à miséria dispõe de mais um argumento a favor dos otimistas. Um estudo da universidade inglesa de Oxford demonstra que a pobreza extrema está diminuindo significativamente em países do chamado Terceiro Mundo e poderá até mesmo ser erradicada num período de 20 anos. O levantamento, em 22 nações, concluiu que em 18 delas houve redução do que se define como “pobreza multidimensional”, um indicador que abrange não só a renda, mas saúde, educação e segurança, além das condições gerais de habitação e alimentação. Para o Brasil, a informação mais significativa é a de que o país não consta do estudo, por ter superado as condições de precariedade social que justificam a inclusão de outras nações. A ausência merece, de fato, ser registrada, mas sem euforia. Há pelo menos uma década e meia, o Brasil vem reduzindo o contingente de pessoas em situação de miséria, com o suporte decidido de políticas governamentais. Mas há fundamentadas controvérsias em torno de conceitos e estatísticas sobre as parcelas da população que ainda enfrentam dificuldades para sobreviver. Tanto que, recentemente, o governo chegou a anunciar que, com a ampliação do alcance do Bolsa Família, havia erradicado a pobreza extrema, para logo depois reconhecer que ainda precisa localizar e beneficiar 700 mil brasileiros nessa condição. Programas destinados a milhares de famílias que não têm nem o que comer são formas inquestionáveis de assegurar o apoio mais elementar a quem não dispõe sequer, pelo contexto em que vive, da chance de uma ocupação digna. Mas é preciso ir além do atendimento de demandas como alimentação, para que o Brasil supere de fato realidades que, em determinadas regiões, onde não há alimento nem água, ainda se assemelham às das áreas mais paupérrimas do mundo, localizadas em parte da Ásia e em grandes porções da África. E o que falta é muito do que o estudo de Oxford leva em conta, com destaque para educação e saúde. Temos déficits históricos em saúde pública, muitos dos quais vêm se agravando nos últimos anos, em decorrência não só da falta de recursos financeiros, mas também da irracionalidade administrativa e da corrupção. Na educação, falhamos, por décadas, com o descaso pelo ensino básico. Enquanto reduzimos a miséria remediada com uma renda básica, ampliamos outras desigualdades avaliadas pela multidimensionalidade, ao educar com deficiência, ao não combater a evasão escolar e ao desqualificar, com remunerações vexatórias, nossos professores. Saímos do ranking dos miseráveis, mas convivemos com contrastes inadmissíveis. O Brasil próspero, que propicia ascensão social a milhões de pessoas, moderniza-se e atrai investidores, deve percorrer um longo caminho até deixar de ser o mesmo país que ainda sonega saúde e educação, em especial às camadas mais pobres da população. O Brasil vem reduzindo o contingente de pessoas em situação de miséria

Edição EDIÇÃO 16967




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