Editoriais
Quinta-feira, 12 de Junho de 2008, 23h:33
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Expansão e gasto público
A expansão recorde dos últimos 12 anos, de 5,8% na economia brasileira no primeiro trimestre de 2008, em comparação com igual período do exercício anterior, só não se presta para mais comemorações por algumas razões inquietantes. Uma delas é o fato de a divulgação coincidir com a confirmação de uma alta acentuada da inflação, o que já levou o Banco Central a rever para cima a taxa básica de juros, reduzindo, portanto, as chances favoráveis para o Produto Interno Bruto (PIB) continuar se expandindo nos níveis atuais. A outra causa, ainda mais preocupante, é a particularidade de, em parte, a economia estar crescendo também em conseqüência do aumento dos gastos governamentais, nos três níveis de governo. No Brasil, esse é um aspecto que está sempre associado a mais inflação, exigindo atenção máxima. Um dado importante entre os apresentados para explicar a ampliação do PIB em níveis inéditos é que a taxa de investimentos no período pesquisado foi superior à do consumo das famílias, o que é tranqüilizador sob o ponto de vista de demanda e oferta. O problema é que, na comparação com o trimestre anterior, os gastos dos governos federal, estaduais e municipais aumentaram 4,5%. Em ano eleitoral, é normal que os dispêndios oficiais se acelerem e é preciso levar em conta que muita verba tem a liberação antecipada para evitar acusações de transgressão à legislação. Ainda assim, a associação entre euforia econômica e recrudescimento de gastos governamentais costuma se mostrar sempre perversa. O país esperou demais para registrar um nível de crescimento tão expressivo como o atual e não pode colocá-lo em risco por razões como descontrole das despesas oficiais. A sociedade tem consciência de que pressões inflacionárias costumam impor um alto custo. Precisa, portanto, cobrar do governo uma reação à altura da ameaça em que se constitui a mistura explosiva de crescimento da economia e de gastos públicos. A sociedade tem consciência de que pressões inflacionárias costumam impor um alto custo