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Terça-feira, 21 de Junho de 2016, 19h:50

Estado de penúria

A greve dos servidores públicos de Mato Grosso é a ponta mais visível – para nós, mato-grossenses - da grave crise por que passa toda a administração pública no Brasil, agravada com a atual crise econômica. Porém, Mato Grosso é um dos estados que estão combatendo a crise com ações duras – inclusive, aceitando o desgaste político ao não conceder o reajuste inflacionário aos servidores -, tentando cortar na própria carne, do serviço público, para tentar minimizar os problemas. Mato Grosso, comparado com a maioria dos estados da federação, está em uma situação bem melhor do que unidades como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Ao decretar estado de calamidade pública no Rio de Janeiro, faltando menos de 50 dias para os Jogos Olímpicos, o governador em exercício Francisco Dornelles (PP) passou um atestado de falência do Estado que já foi a vitrine do país. Como outras unidades federativas que gastam mais do que arrecadam, o Rio de Janeiro chegou a tamanho esgotamento financeiro, que não consegue mais cumprir compromissos com servidores e fornecedores nem prestar adequadamente serviços públicos em áreas essenciais, como saúde, educação, mobilidade e gestão ambiental. O Rio faliu e pede ajuda. Há inegável oportunismo na atitude inusitada do governador fluminense, pois o propósito claro é obter socorro financeiro emergencial da União sob pretexto de garantir a Olimpíada. A crise é real, como atestam os atrasos de salários dos servidores e a interrupção de obras viárias. As causas apontadas pelo governo também são reconhecidas, com ênfase na queda na arrecadação do ICMS e nos royalties do petróleo. Só que esses fatores, na verdade, são apenas agravantes, pois a razão maior da falência do Estado é o mau gerenciamento histórico, o acúmulo de despesas crescentes com a administração pública e sistemas previdenciários desvinculados da realidade. Mais do que um recurso para obter crédito federal, o decreto de calamidade pública do Rio de Janeiro tem que ser visto como um alerta a outros estados. Em vez de apenas buscar pretexto para ajudas emergenciais, os governantes têm que enfrentar as dificuldades e interromper a gastança irresponsável que resultou no atual estado de penúria. os governantes têm que enfrentar as dificuldades e interromper a gastança irresponsável que resultou no atual estado de penúria

Edição EDIÇÃO 16967




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