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Editoriais
Sábado, 19 de Dezembro de 2009, 01h:03

Eficiência policial

Saldo melhor, impossível. A Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso divulga o resumo de suas atividades relativas às operações especiais deflagradas neste ano para cumprir mandados judiciais de prisões e de busca e apreensão. Ao todo foram empreendidas 17 operações especiais em Cuiabá e no interior, que resultaram em 300 prisões e numa quantidade muito grande de apreensões de documentos, armas e bens. Esse volume operacional foi alcançado sem registro de violência policial ou por parte das pessoas presas, graças ao planejamento estratégico da instituição, que facilita a ação segura de seus componentes. O desempenho revelado pelo balanço da Polícia Federal é restrito às operações especiais de combate ao narcotráfico, desmatamento irregular, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, golpes contra instituições federais e outros, mas não inclui o rotineiro trabalho de inteligência e a parte burocrática a exemplo de expedição de passaportes e portes de arma. O superintendente da PF, delegado Oslain Campos Santana, tem motivos de sobra para comemorar com sua equipe o bom resultado alcançado com as operações especiais sempre batizadas por nomes criativos. Certamente que no âmbito interno da instituição há frustração pelo fato de que quase todos os presos foram postos em liberdade pela Justiça. No entanto, o espírito profissional deve prevalecer para que essa situação não sirva de esmorecimento, porque mesmo de difícil entendimento ela traduz a legalidade jurídica nacional. A legislação é branda e prisão é exceção quando deveria ser regra. O cidadão ainda que condenado em instâncias inferiores tem direito a aguardar a sentença com trânsito em julgado na mais absoluta liberdade, ainda que réu confesso de crimes gravíssimos. Dessa norma legal se aproveita o crime organizado para que seus integrantes continuem praticando ações criminosas enquanto seus processos se volatilizam nas prateleiras das galerias judiciais. A Polícia Federal não pode esmorecer. Tem que levar adiante sua missão constitucional. Tanto ela quanto o povo sentem o quanto o modelo jurídico vigente é nocivo ao cidadão e benéfico ao marginal. Mais dia menos dia essa situação mudará, mas até que isso aconteça é preciso continuar o enfrentamento com o crime organizado e o colarinho branco, sob pena da população ficar refém da bandidagem e dos corruptos e corruptores. No ano de 2010 haverá eleição para o Congresso Nacional que é o único foro competente para criar e alterar leis. Que o povo escolha melhor seus representantes congressistas. Que surja novo Parlamento capaz de instituir um eficiente mecanismo de defesa social e do estado, para que as fundamentadas prisões efetuadas pela Polícia Federal em suas operações especiais sejam o primeiro aperto do torniquete contra o crime, e que esse aperto continue até a condenação do criminoso sem que ele goze do benefício de esperar o último julgamento em liberdade. “O espírito profissional deve prevalecer para que essa situação não sirva de esmorecimento”

Edição EDIÇÃO 16967




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