Brasília, 25 de abril de 1984. A Câmara dos Deputados vota a Emenda Constitucional Dante de Oliveira, nacionalmente conhecida por Emenda das Diretas Já, que pedia o restabelecimento da votação universal para presidente e vice-presidente da República A votação avança pela noite. Ao término, o placar mostra que a manifestação dos deputados governistas derrubou a emenda, embora a mesma tenha recebido 298 votos favoráveis, ao passo que a preservação do processo de eleição indireta pelo Colégio Eleitoral recebera somente 65 votos. A emenda das Diretas Já não passou porque além da votação contrária e de três abstenções, 112 deputados se ausentaram do plenário como parte de manobra governista para impedir que a proposta alcançasse dois terços dos votos necessários à sua aprovação. Dante de Oliveira, autor da emenda, escreveu singular página no capítulo dedicado à democracia brasileira. Sua proposta de redemocratização do Brasil e o consequente sepultamento institucional do regime imposto por golpe de Estado em 31 de março de 1964, mobilizou o País de ponta a ponta e arrastou milhões de cidadãos às praças quando dos comícios pela Diretas Já. Cuiabano, Dante de Oliveira tornou-se uma das figuras mais respeitadas da História política mato-grossense das últimas décadas. O desfecho de sua emenda ficou acima de qualquer resultado que a mesma obtivesse junto aos deputados, porque ela se traduziu numa grande mobilização da consciência nacional pela liberdade democrática então sufocada pelo regime militar. Se aprovada, a emenda enfrentaria o ranço dos generais e isso poderia desaguar em conflitos fratricidas entre militares apoiados por seus seguidores e a oposição. A derrota em plenário acomodou os donos do poder e lhes deu serenidade para entenderem com clareza o clamor coletivo nas ruas, que pedia que saíssem do Planalto entregando-o à soberania popular. A história não profere julgamentos errôneos, porque não lavra suas sentença no afogadilho. A emenda de Dante de Oliveira é fato muito recente no contexto histórico para conferir ao seu autor o reconhecimento nacional por sua ousadia política, sua coragem cívica e seu ardor democrático. Bem verdade é que o Brasil conheceu e passou a respeitar o deputado mato-grossense que por meio de sua emenda de projeção internacional lutou pelo fim do ciclo de nomeações de generais para presidente. Porém, no futuro, ao respeito e gratidão se juntarão outros sentimentos do povo brasileiro à memória de Dante de Oliveira. Transcorridos 26 anos da votação da emenda das Diretas Já o Diário reafirma sua inabalável convicção democrática e reverencia a memória do estadista mato-grossense Dante de Oliveira por seu papel no processo de redemocratização do Brasil. A História não profere julgamentos errôneos, porque não lavra suas sentença no afogadilho