Editoriais
Quarta-feira, 03 de Junho de 2009, 20h:44
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Desespero de causa
Uma das disputas mais interessantes na campanha pela condição de ser sede da Copa do Mundo de 2014, não há como negar, ocorreu entre Cuiabá e Campo Grande. Como foi amplamente divulgado, as duas capitais, por meio de seus respectivos representantes, não mediram esforços para tentar convencer a Fifa de que seus projetos eram convincentes e que atendiam às rigorosas exigências da entidade. No decorrer desse primeiro semestre, quando as campanhas se intensificaram, as duas cidades não deixaram por menos e, cada qual a seu modo, buscaram cativar o sentimento popular, no sentido de envolver a sociedade numa disputa que se pretendia fosse a mais limpa possível. O Comitê Pró-Copa em Cuiabá, criado pelo governador Blairo Maggi, desenvolveu um trabalho extremamente profissional, justamente para cumprir a rigorosa agenda da Fifa, ao apresentar os projetos que buscavam credenciar a capital mato-grossense como subsede da região do Pantanal. O trabalho de fôlego dos integrantes dessa comissão, com efeito, resultou positivamente. E a escolha da cidade, no domingo passado, entre as 12 futuras sedes da competição, por si só, já diz tudo. No começo desta semana, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em carta ao governador Maggi, reconheceu a qualidade do projeto técnico apresentado por Cuiabá, observando que o empenho e a competência demonstrados (...), certamente, contribuíram para elevar a disputa ao mais alto nível. Não se pode dizer o mesmo das autoridades de Mato Grosso do Sul, que, em vez de se preocuparem em atender aos requisitos exigidos pela Fifa, baixaram o nível da campanha, com agressões gratuitas, que evidenciaram, isto sim, o desespero. A escolha de Cuiabá como uma das 12 sedes da Copa culminou, em verdade, com um sentimento generalizado de revolta em Mato Grosso do Sul. Tanto é verdade que o governador André Puccinelli (PMDB), na ressaca da derrota de domingo, surpreendeu o mundo político e social, ao encampar proposta de deputados estaduais no sentido de discutir nada menos do que a mudança do nome do vizinho Estado. Bandeira do ex-governador Zeca do PT, que sugeria mudar para Estado do Pantanal, a ideia agora encontra simpatizantes até na base aliada do governador. Na avaliação de parlamentares, se Mato Grosso do Sul tivesse o nome sugerido pelo ex-mandatário, certamente, não teria como a Fifa escolher Cuiabá, pois a intenção da federação era promover o evento esportivo no Pantanal. Não há como negar que esse sentimento de revolta, em verdade, se soma a um enorme despeito que as autoridades de Mato Grosso do Sul nutrem em relação a Mato Grosso. É inadmissível que a inveja, o despreparo, a incompetência se sobreponham ao bom senso. Certamente, trata-se de uma opinião isolada e não representa a realidade do que pensa a grande maioria do ordeiro povo de Mato Grosso do Sul. A última idéia do governador é mudar o nome de Mato Grosso do Sul para Pantanal