Editoriais
Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2008, 21h:16
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Clima e progresso
Ainda sob o impacto e a consternação causados pela tragédia catarinense, que provocou uma centena de mortos, desalojou dezenas de milhares de pessoas e desencadeou o colapso no sistema rodoviário, com reflexos sobre outras áreas fundamentais para a vida das comunidades, o presidente Lula deve anunciar hoje um plano de ação face às mudanças climáticas para dirigir o país no caminho da preservação ambiental e do desenvolvimento com sustentabilidade. A relação com as inundações e deslizamentos no Vale do Itajaí não é despropositada. Ao contrário, a questão ambiental é vista como essencial na explicação do desastre que, de maneira tão brutal, se abateu sobre aquela que é uma das regiões mais ricas e prósperas do Brasil. Além disso, nosso país está engajado num projeto internacional de redução das emissões dos gases-estufa, responsáveis pelo aquecimento global, e está solidário na construção de um sistema global de desenvolvimento sustentável. É pois bem-vindo o plano do governo Lula para atender a essas exigências. Com a responsabilidade de quem possui algumas das reservas naturais mais preciosas do planeta, o Brasil precisa assumir um papel protagonista na luta pela promoção do ambiente. É este, aliás, um compromisso assumido por nosso país e por outras nações em desenvolvimento que, na Conferência da ONU sobre o Clima, de 2007, em Bali, se comprometeram a adotar metas nacionais verificáveis como sua contribuição para o combate ao problema global do aquecimento. Neste sentido, espera-se que o presidente da República estabeleça um projeto que foque algumas ou todas as variáveis dessa megaquestão, vendo que nosso país está incluído entre os que precisam trabalhar contra os gases-estufa provocados pelos desmatamentos e pela poluição dos combustíveis da frota nacional de veículos e das fontes de energia que, mais do que nunca, precisam incorporar matrizes energéticas renováveis. A calamidade catarinense destes dias, como outras tragédias naturais, está sendo vista como uma resposta do clima às agressões sofridas do chamado progresso. Por isso, as metas que o governo deve anunciar hoje significam a reafirmação do compromisso brasileiro, forte e confiável, de adesão a uma das grandes tarefas que a humanidade não pode mais retardar: a de inverter a curva da degradação ambiental. Será com credenciais de metas domésticas, definidas e factíveis que o governo brasileiro se apresentará na nova Conferência da ONU sobre o Clima, que começa nesta semana na cidade polonesa de Poznam. É importante que a sociedade participe do debate destes temas e se conscientize de que a conquista de um ambiente e um clima preservados é o desafio de hoje e será a recompensa de amanhã. A conquista de um ambiente e um clima preservados é o desafio de hoje e será a recompensa de amanhã