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Editoriais
Segunda-feira, 06 de Abril de 2009, 22h:18

Caso de polícia

Novos lances no tristemente famoso Caso Ralf, como se convencionou denominar o episódio que o vereador de primeiro mandato em Cuiabá, Ralf Leite (PRTB), protagonizou, ao se envolver num programa sexual com um travesti de 17 anos e ser flagrado por uma viatura da Polícia Militar. Como foi amplamente divulgado, o parlamentar foi descoberto em plena zona de prostituição da cidade de Várzea Grande, no começo de fevereiro passado. O caso em questão, pela sua gravidade e pelos crimes supostamente praticados pelo vereador, ganhou conotações muito mais policiais do que propriamente políticas. O fato de o escândalo patrocinado pelo vereador ter acarretado uma série de desgastes na imagem do Legislativo Municipal, infelizmente, acometeu esse Poder de uma espécie de paralisia, de tal maneira que, passados quase três meses da posse da nova Mesa Diretora, até hoje, a Câmara não produziu algo de proveitoso em benefício da coletividade. Com efeito, o noticiário policial recente dá conta de que a delegada Mara Rúbia de Carvalho, da Especializada dos Direitos da Criança e do Adolescente, solicitou prorrogação, por mais um mês, do inquérito que investiga o crime de exploração sexual praticado pelo vereador cuiabano. A alegação é de que a Polícia precisa de mais tempo para concluir as investigações, até porque tem que ouvir mais pessoas e também analisar as sindicâncias realizadas pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. O inquérito já foi encaminhado à Comarca da Capital, e assim que retornar à Polícia Civil, a delegada terá mais 30 dias de prazo. A delegada terá que ouvir o delegado Ely Roberto Ferreira, do Cisc Parque do Lago (Várzea Grande), responsável por um termo circunstanciado contra o vereador, no dia 6 de fevereiro, data em que o político foi preso em flagrante na companhia de menor travesti de 17 anos. Um detalhe que chama a atenção é que, em seu depoimento, o travesti confirmou ter recebido R$ 30 para fazer sexo oral com o parlamentar, mas não se consumou porque os policiais chegaram antes. No entendimento da delegada, houve a exploração sexual, que é uma das formas de abuso sexual. Sobre o parlamentar pesam, também, acusações de falsidade ideológica (se apresentou como integrante do Corpo de Bombeiros, embora tenha deixado a corporação), de corrupção passiva (teria tentado comprar o silêncio dos PMS que o flagraram no ato sexual), além do abuso de autoridade, que pode lhe custar o mandato. Desde a abertura de investigações por parte da Comissão de Ética da Câmara Municipal, a sociedade cuiabana vive a expectativa de que o polêmico Caso Ralf tenha um desfecho que revele que o Legislativo se pauta pela seriedade. O Diário, aqui neste mesmo espaço, observou que Ralf Leite, diante dos episódios que protagonizou e que se materializaram num escândalo sem precedentes no meio político, já não tinha (como, de fato, não tem) condições morais para atuar como homem público, no contexto do Legislativo Municipal. Ademais, o jornal considerou que a saída apropriada para o citado vereador seria, quando nada, renunciar ao mandato. O vereador do PRTB tem feito, sistematicamente, ouvidos moucos aos apelos da sociedade. Sua situação perante a opinião pública é delicada; suas atitudes, que configuram quebra do decoro parlamentar e refletem negativamente na imagem do Poder. Definitivamente, o caso em questão deixou ter caráter político para se tornar um fato policial de enormes proporções. Já passa da hora de a Câmara Municipal sair do cenário policial e deixar de ser vista como palco de escândalos. Ou os homens de bem da Casa tomam a atitude correta para resgatar a identidade, ou eles serão acusados de cassar, isto sim, o próprio decoro. “Já passa da hora de a Câmara sair do cenário policial e deixar de ser vista como palco de escândalos”

Edição EDIÇÃO 16967




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