NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

Editoriais
Terça-feira, 04 de Dezembro de 2007, 19h:07

Acampados

Perfilados nas duas margens da BR-163, dezenas de barracos de pau-a-pique abrigam famílias em condições subumanas em dois acampamentos de sem-terra vizinhos e separados por um córrego no Km 888 daquela rodovia, no município de Cláudia, num ponto eqüidistante entre Sinop e Itaúba. Os acampamentos Nova Aliança e Nova Esperança surgiram há mais de cinco anos e reúnem cidadãos de várias regiões de Mato Grosso e de outros estados. Seus moradores alimentam o sonho comum da conquista de uma parcela de terra para plantar, colher e viver em paz. O longo período acampado não roubou o sonho de muitos, mas inegavelmente quebrou a resistência de alguns. A parcela, que em tese seria objetivo facilmente alcançado pelas características do mosaico fundiário mato-grossense, onde é perfeitamente possível conciliar direito de propriedade com função social da terra, agora se mostra quase utópica pelo paquidérmico funcionamento da estrutura fundiária agrária agravada pela burocracia e, não raramente, por interesses inconfessáveis. Não se sabe ao certo o número de famílias nos dois acampamentos, embora os organizadores do movimento agrário que as representa sustentem que se trate de 350. A precisão é dificultada pela desistência de moradores que abandonam o local, e pelo vaivém de trabalhadores que prestam serviço sazonal em fazendas da região. O que se sabe é que em razão da morosidade do Incra, muitos acampados transformaram seus barracos em ponto de venda de artesanato, óleo de copaíba e castanhas-do-pará, ou até mesmo em bares e bolichos, o que, lamentavelmente, desfigura a proposta da reforma agrária. A luta pela posse da terra não é dificultada somente pela lentidão do Incra. Contra ela também pesa o esfacelamento do movimento em defesa dos sem-terra. No caso dos dois acampamentos a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) não tem nenhuma participação. Não é justo manter crianças, jovens e adultos acampados sobrevivendo com o clientelismo mensal em forma de cesta básica. Mato Grosso tem uma dívida social muito grande com os acampados da Rodovia BR-163 em Cláudia, que exige resgate o quanto antes. É imprescindível que os segmentos representativos dos sem-terra se unam numa cruzada juntamente com deputados, governo estadual e prefeituras das áreas pela conquista da terra. Não se pode conceber que a morosidade acabe por volatizar o sonho da terra acalentado por tantos. Infelizmente, é isso que acontece. Essa situação é trágica para os adultos que esperam pela reforma agrária e, além disso, é argamassa para a criação de uma geração revolucionária formada pelos filhos de pais órfãos da luta agrária. “O Estado tem uma enorme dívida social com os acampados da 163”

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL