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Editoriais
Sábado, 18 de Abril de 2009, 13h:16

2010 já começou

Aparentemente, a crise global passa bem longe das cúpulas dos partidos que constituem o cenário político de Mato Grosso, sejam eles da situação ou da oposição, pequenos ou grandes, revestidos de seriedade ou de aluguel. A crise financeira é uma ingrata realidade, mas as siglas partidárias, independentemente de suas posições no contexto político administrativo, parecem ter olhos apenas e tão-somente para as próximas eleições. Com efeito, mal o ano começou, em janeiro, com a posse de prefeitos e vereadores, e os líderes partidários iniciaram as articulações no sentido de aferir a possibilidade de se firmarem (em alguns casos, reafirmarem) alianças; armarem conchavos; oferecerem benesses; dimensionarem as dificuldades... Nesse contexto, no entanto, sempre colocaram em primeiro plano as conveniências de grupos político-partidários. Quando nada, os próprios caprichos pessoais. No comando da máquina pública estadual, o PR tenta sustentar em pé o amplo arco de aliança que elegeu e reelegeu o governador Blairo Maggi (em 2002 e 2006, respectivamente). A sigla, no entanto, vive uma disputa intestina, por conta da decisão do deputado estadual Sérgio Ricardo de colocar sua pré-candidatura, enfrentando, porém, a resistência dos seus pares. A começar pelo líder maior, o governador, que tentou tirar do bolso do colete a candidatura do diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot. Entre os grandes partidos aliados, PMDB e PT são favoráveis à manutenção da aliança, embora tenham nomes fortes para uma eventual candidatura própria (o vice-governador Silval Barbosa e o deputado federal Carlos Abicalil). O PP, liderado pelo presidente da Assembléia, José Riva, busca se firmar nesse cenário como uma espécie de fiel da balança. O PSDB do prefeito Wilson Santos e o DEM do senador Jayme Campos caminham para consolidar uma composição definida pelas respectivas direções nacionais. Os líderes partidários em Mato Grosso, ultimamente, não têm feito outra coisa senão discutir acordos, tendo em mente sempre a disputa eleitoral do ano que vem. O noticiário político é notório por revelar a disposição desses grupos em propagandear a necessidade de se elaborar um “Projeto de Governo” que contemple os cidadãos naquilo que representa as suas maiores aspirações. Na verdade, trata-se apenas de meros discursos, até porque são propostas vazias. Há, sim, projetos de candidaturas. A campanha eleitoral em Mato Grosso começou inusualmente cedo, dada a pressa de alguns partidos em despertar, desde já, o interesse do eleitorado. Essa premência, obviamente, instiga os caciques, de um modo geral. Assim, não surpreende que o noticiário político, em geral, se destaque por revelar jogos de cena, balões de ensaio, além de factóides. Proposta de gestão não passa de mera fantasia. Para a grande maioria das lideranças políticas em Mato Grosso, nem parece que 2009 é um ano de crise. É, sim, de candidaturas à sucessão do governador Blairo Maggi. Infelizmente, parece inevitável que alguns mais açodados já se lançam na montagem dos tradicionais palanques eleitoreiros. “As lideranças políticas não vêem crise; enxergam só a sucessão do próximo ano”

Edição EDIÇÃO 16967




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