ECONOMIA
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, 23h:20
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COMÉRCIO
Vendas têm queda de 20%
Perdas são reflexo direto da manutenção da greve dos bancários deflagrada semana passada. Centro é prejudicado
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A greve dos bancários, que hoje entra no seu sexto dia, provocou perdas de até 20% em praticamente todos os setores do comércio, na Grande Cuiabá, principalmente nas lojas localizadas no Centro da Capital. Os empresários reclamam do aumento da inadimplência dos consumidores por conta da paralisação das agências. Muitos consumidores deixaram de cumprir seus compromissos e estão com suas prestações atrasadas. Os crediários registram queda abrupta de faturamento, afirma o presidente do Sindicato Intermunicipal de Tecidos, Confecções e Armarinhos de Cuiabá e Várzea Grande (Sincotec), Roberto Peron. Praticamente não estamos realizando operações financeiras, disse, lembrando que em alguns setores a queda sobre as vendas ultrapassa a 20%. Muita gente está querendo sacar dinheiro nas agências e não está conseguindo. Para muitos, os limites de saques nos caixas-eletrônicos já estão ultrapassados e, com isso, perdemos vendas e o consumidor ainda atrasa o pagamento das compras feitas pelo crediário. O vice-presidente da Federação do Comércio, Bens e Serviços de Mato Grosso (Fecomércio), Hermes Martins, diz que a paralisação dos bancários afeta não apenas o comércio e os prestadores de serviços, mas toda a população. A greve gera perda de vendas que não podemos recuperar no dia seguinte, afirma Martins. O fator que está minimizando os efeitos da paralisação, segundo ele, é a possibilidade de pagamento de boletos nas lotéricas, correios, via internet e cooperativas de crédito. O vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), Paulo Gasparoto, diz que a paralisação dos bancários vem causando problemas para o comércio e para todas as pessoas físicas. O comércio do Centro de Cuiabá está sendo muito prejudicado, pois grande parte das lojas depende do sistema bancário. Com a greve, temos uma menor circulação de pessoas e o movimento cai, assim como o faturamento. Gasparoto conta que muitos consumidores que dependem dos bancos para fazer algum tipo de saque extralimite de caixa-eletrônico acabam ficando sem comprar. Registramos queda de até 20% no comércio e serviço, com prejuízo maior para as lojas da região central da cidade. De acordo com o vice-presidente da CDL, entre 20% e 25% dos consumidores efetuam pagamento em dinheiro. Na avaliação de Gasparoto, a greve acaba afugentando os consumidores das lojas. Sem dinheiro esses consumidores praticamente não saem às ruas, daí o pequeno movimento que estamos verificando nas lojas. Todo o segmento de varejo está prejudicado, desde alimentos até calçados, vestuário e eletrodomésticos, aponta. BANCÁRIOS Segundo levantamento do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso, a paralisação atinge 5.786 agências e postos do país. No Estado, são mais de 100 agências paralisadas. Arilson da Silva, presidente do sindicato, diz que a greve conta com a adesão de 94% dos bancários na Grande Cuiabá, onde estão concentrados mais de dois mil funcionários. Ele informou que algumas agências chegaram a abrir as portas na segunda-feira à tarde, mas o sindicato entrou com liminar na Justiça para manter os bancos fechados. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 10%, participação nos lucros e resultados das empresas, novas contratações, valorização do piso (R$ 1.013) e política de segurança bancária. Até ontem pela manhã os banqueiros não haviam sinalizado com proposta. Mato Grosso conta com cerca de 200 agências e aproximadamente 4,5 mil bancários.