ECONOMIA
Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010, 20h:26
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TELES PIRES
Usina tem menor preço da história
O último leilão de energia elétrica do governo Lula seguiu a tendência das últimas disputas e deixou o mercado boquiaberto. O preço oferecido pelo grupo vencedor para levar a hidrelétrica de Teles Pires, no Mato Grosso, é o menor desde que o novo modelo elétrico foi adotado, em 2004: R$ 58,35 o megawatt hora (mWh), com deságio de 32,9%. As usinas do Rio Madeira e de Belo Monte já haviam apresentado preços extremamente baixos. A hidrelétrica de Santo Antônio foi arrematada por R$ 78,87 o mWh, Jirau, R$ 71,4 e Belo Monte, R$ 77,97. Todas elas foram arrematadas por parcerias entre empresas públicas e privadas. No caso de Teles Pires, cuja capacidade instalada é de 1.820 mW, o consórcio vencedor é formado pelas empresas privadas Neoenergia (50,1%) e Odebrecht (0,9%) e as estatais Furnas (24,5%) e Eletrosul (24,5%). "O valor do mWh da usina é o mais barato entre todos os empreendimentos hidrelétricos já negociados nos leilões de energia nova", afirma o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Ao lado do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, e do presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Antônio Carlos Fraga Machado, ele comemorou o resultado e o encerramento deste ciclo. "Neste ano, foram contratados 17.050 mW de energia renovável." Durante todo o governo Lula, foram comprados 57 mil mW, sendo 70% desse montante de energia renovável. O entusiasmo de Tolmasquim, no entanto, não comoveu os analistas e especialistas do setor elétrico. "Para mim, esse preço é o mais alto da história, pois vai provocar prejuízos no futuro. Estamos afastando o investidor privado do setor elétrico e deixando tudo para as estatais, que têm limite de investimentos", afirma o analista da Ativa Corretora, Ricardo Corrêa. Pelos cálculos dele, com o valor aceito pela usina, o retorno do investimento - de R$ 3,3 bilhões - deve ficar em torno de 6%. "É muito baixo. Com base nos últimos leilões, esperava algo em torno de 9%".