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ECONOMIA
Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007, 19h:37

Solução para o gás passa pela visita do presidente

A solução para a crise no abastecimento de gás natural no Brasil passa pela visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará à Bolívia no próximo dia 12, disse ontem o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, que esteve em Cuiabá para constatar in loco os desdobramentos da falta do gás natural à usina termelétrica Mário Covas. “Esperamos que se faça valer a posição brasileira de cumprimento dos contratos, incluindo o acordo firmado pela Bolívia em junho deste ano, segundo o qual a Bolívia daria prioridade ao suprimento de gás para o atendimento dos contratos com o Brasil, que não estão sendo cumpridos em relação à usina de Cuiabá”, afirmou Sales. Segundo ele, a Bolívia não está produzindo gás natural em quantidade suficiente para atender o Brasil, a Argentina e o mercado interno local. A Bolívia produz atualmente 39 milhões de metros cúbicos de gás por dia para atender os três mercados. Deste total, 32,5 milhões de metros cúbicos seriam para o atendimento do Brasil, sete milhões de metros cúbicos para a Argentina e, quatro milhões de metros cúbicos, para a Bolívia. “Mas os bolivianos estão nos enviando 30 milhões de metros cúbicos, gerando um déficit diário de 2,5 milhões de metros cúbicos. Isso é preocupante, pois gera instabilidade e insegurança”, adverte Sales. NEGATIVA – Ontem, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que o Brasil não vive uma crise no abastecimento de gás natural. "Não há uma crise do gás. O que há é uma estreita aproximação entre a oferta e a demanda pelo combustível", disse. Ela reiterou que a Petrobras pretende reajustar o preço do gás natural a partir do próximo ano e disse que os aumentos serão negociados caso a caso com cada distribuidora que compra o produto da estatal. "O aumento é necessário para garantir o ritmo dos investimentos que estamos fazendo no setor de gás", disse. Ela admitiu que se as usinas termelétricas tiverem de voltar a ser acionadas em janeiro, como vem alertando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) - a Petrobras terá de "repactuar" novamente os volumes adicionais de gás (que estão acima dos previstos em contrato) que vende às distribuidoras. No fim do mês passado, a estatal reduziu o fornecimento desses volumes excedentes de gás às distribuidoras de São Paulo e do Rio para poder suprir as usinas térmicas. INVESTIMENTOS - A Petrobras, a maior empresa estrangeira na Bolívia, foi uma das mais afetadas pela decisão do presidente Morales de nacionalizar os hidrocarbonetos, em maio de 2006. Desde então a companhia só realiza os investimentos necessários para manter suas atividades já existentes no país.

Edição EDIÇÃO 16967




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