ECONOMIA
Terça-feira, 07 de Outubro de 2014, 19h:47
A
A
BOI GORDO
Setembro foi generoso
Na comparação com igual mês do ano passado, houve valorização da arroba e retração no preço da ração
MARIANNA PERES
Da Editoria
A bovinocultura de corte, em Mato Grosso, fechou mais um mês de 2014 com bons resultados. Dentro de um cenário interno e externo positivo, tudo parece caminhar para que os bovinocultores vislumbrem uma situação melhor, visto que o poder de compra sobre os principais insumos da alimentação animal aumentou na comparação anual. Se de um lado a conjuntura favorece o criador, na outra ponta, a do consumidor, a oferta restrita de animais para abate e os bons volumes exportados, seguem elevando o preço no varejo. No comparativo anual elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a arroba valorizou quase 27%, enquanto os principais insumos utilizados em confinamentos e semiconfinamentos, retraíram até 20%, como é o caso do farelo de soja. Como aponta o Imea, a relação de troca da arroba do boi gordo com o milho atingiu o segundo menor patamar da história. Em setembro deste ano foi necessária apenas 1,93 arroba para adquirir uma tonelada do cereal, matéria-prima para rebanhos confinados, aqueles criados com ração no cocho e não a pasto/capim. Dos três insumos utilizados - milho, farelo de soja e caroço de algodão - apenas esse último apresentou alta no preço no período analisado. Apesar da valorização, a relação de troca melhorou quase 17%, atingindo o menor nível desde janeiro de 2012, destacam os analistas do Instituto. O farelo de soja apresentou a maior queda na relação de troca e atingiu o menor valor desde março de 2012, pressionado para baixo em virtude da alta oferta mundial do grão. Em setembro de 2013, a tonelada do insumo recebeu cotação média de R$ 1.147 e no mês passado veio a R$ 917, queda anual de 20,10%. A tonelada do milho, no mesmo período, passou de R$ 229,52 para R$ 227,44, retração de 0,91%. Tudo isso resulta em um cenário animador para o bovinocultor de corte que necessita repor seus estoques de insumos alimentares. ARROBA - Somente na semana passada, a primeira de outubro, ambos os preços da arroba da vaca e do boi gordos apresentaram valorização com destaque para a alta na arroba da vaca gorda com elevação de 1,52%. A do boi gordo teve incremento de 0,57%. Entre agosto e setembro, a arroba do boi gordo valorizou passando de R$ 111,16 para R$ 114,80. A situação pode ainda ficar melhor para os criadores mato-grossenses caso as expectativas baixistas do mercado de grãos se concretize, tendo em vista que a safra de grãos nos Estados Unidos caminha bem e os estoques principalmente de milho no mercado interno estão elevados. Dessa forma, após um longo período de matéria-prima cara, até o ano passado, por exemplo, o baixo custo da dieta pode ser um diferencial na lucratividade, para alegria dos pecuaristas e tristeza dos agricultores, apontam os analistas de pecuária do Imea. NO VAREJO Em função de perspectivas de cotações elevadas para os principais insumos do confinamento lá no início do ano quando a decisão de confinar e quanto confinar é tomada o número de animais terminados no cocho, no Estado neste ano, evoluiu apenas 2,60% em comparação ao ano passado e a maior parte desses animais será trazida para os abates a partir deste mês, seguindo até dezembro. Enquanto essas cabeças não chegam, a pouca oferta de animais e bom momento das exportações de cortes bovinos vão segurando os preços no mercado, especialmente, no varejo. Conforme levantamento do próprio Imea, cortes mais nobres como o filé mignon exibem preços em ascendência desde junho, chegando a mais de R$ 30. Comparando a média de preços das primeiras semanas de outubro de 2013 contra a de 2014, o quilo ficou 21,82% mais caro. Na comparação mensal, setembro/outubro a alta é de 2,04%. Todos os 16 cortes listados pelo Imea apresentaram alta anual e oito tiveram reduções na análise mensal. O preço médio do cortes aferidos pelo Imea atingiu alta anual de 14,70% e variação mensal de 0,66%. O valor médio ficou cotado em 18,14 o quilo.