Restrições da UE à carne colocam em risco comércio
O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Nelmon Oliveira da Costa, do Ministério da Agricultura, ressaltou ontem, em audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, a importância do mercado europeu para a carne bovina brasileira. "Se perdermos o mercado europeu, vamos colocar em risco também o comércio com outros países que têm a União Européia (UE) como referência", afirmou. O Brasil vende carne bovina para mais de 150 países, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Os rumores são que o bloco poderia impor restrições às exportações brasileiras por causa das deficiências sanitárias apontadas por uma missão de veterinários do bloco que esteve no Brasil no mês de novembro. O governo brasileiro não foi comunicado oficialmente sobre uma possível restrição, mas os comentários são que a UE poderia optar por credenciar fazendas de criação de gado que tenha como destino o mercado europeu e também reduzir o número de frigoríficos que têm acesso ao mercado europeu. Para atender às exigências da UE, o diretor lembrou que até o próximo dia 31 será adotado o sistema de Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônico. Entre outras medidas para garantir esse mercado está a instituição de um novo sistema de autenticidade de certificado sanitário, para dificultar a falsificação da GTA, que hoje é impressa em papel-moeda emitido pela Casa da Moeda. Na audiência, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) defendeu que as regras do sistema de rastreabilidade, o Sisbov, sejam detalhas aos pecuaristas.