ECONOMIA
Terça-feira, 22 de Maio de 2012, 20h:22
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IPI/CARROS
Redução é remédio na dose certa ao impulso do setor
Fenabrave/MT crê na expansão das vendas que acumulam perdas no ano
MARIANNA PERES
Da Editoria
As concessionárias de veículos zero-quilômetro que atuam em Mato Grosso comemoram as medidas anunciadas na última segunda-feira pelo ministro Guido Mantega que visam aquecer o consumo interno e atingem em cheio o segmento. A principal delas, a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), deve alavancar as vendas a partir de agora. A expectativa é de que com o menor peso tributário haja economia de cerca de R$ 3 mil a R$ 2,5 mil, conforme a motorização do automóvel. No Estado, a retração dos negócios neste primeiro quadrimestre chegou a 4,99% na comparação com igual período do ano passado. Em relação ao desempenho anual, entre abril de 2012 ante 2011, a queda chega a 16,09%, acima da média nacional, em 15,96%. Anteontem, Mantega anunciou a redução do IPI para a compra de veículos e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em qualquer tipo de operação de crédito a pessoa física. O ministro já admite que a economia não irá crescer 4,5% em 2012, como defendia até há pouco tempo. Uma das medidas procura beneficiar o setor automotivo e quem pretende comprar carro novo com a redução do IPI. As alíquotas caem de 11% para 6% (carros até 1.000 cilindradas), de 11% para 6,5% (de 1.000 a 2.000 cilindradas) e de 4% para 1% (utilitários). A desoneração para o setor vigorará até 31 de agosto e provocará renúncia de R$ 1,2 bilhão para os cofres federais. Como explica o diretor regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave/MT), Manoel Guedes, o remédio ao segmento veio na dose certa e é muito bem recebido pelo segmento. Ele acredita que a partir de junho será possível enxergar os efeitos práticos da medida. Desde ontem, a redução do IPI está valendo para carros em estoque. Há apenas a necessidade de um trâmite, porque as notas fiscais já faturadas terão de ser trocadas pelas montadoras para que o benefício seja usufruído pelo consumidor. O desempenho ruim das vendas de veículos ao longo do ano levou a União a adotar medidas de incentivo que, inclusive, vão atingir contratos que estão em inadimplência que poderão ser refinanciados e isso ajuda a recuperar duplamente o mercado. O cenário que começa a mudar para as revendedoras é muito parecido com um outro vivenciado recentemente, quando um pacote de medidas de incentivo foi anunciado pelo governo federal pelo então presidente Lula em 2009, no pós-crise dos Estados Unidos. O conflito havia derrubado o segmento assim como outros setores da economia por conta do encarecimento do crédito e a redução dos prazos de financiamentos de modo geral , mas as medidas elevaram as estatísticas para números positivos em um curto intervalo de tempo. Se as coisas se ajeitarem como esperamos, sabemos de antemão que os carros usados que temos nos estoques perderão de imediato cerca de 10% a 20% do seu valor, a exemplo do que vivenciamos na gestão do presidente Lula, após o pacote de incentivo. Apesar da certeza das perdas relacionadas aos automóveis seminovos, Guedes faz questão de frisar que o mais importante de tudo que foi anunciado é é a criação de uma atmosfera positiva de consumo, em outras palavras, o efeito psicológico que as medidas trazem, que neste caso são extremamente favoráveis. No final desta semana, Guedes participará da reunião nacional da Fenabrave, em Recife (PE), onde, entre outros assuntos, o impacto real da redução do IPI poderá ser avaliado.