ECONOMIA
Terça-feira, 04 de Março de 2008, 20h:59
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EMBARGO UE - I
Rebanho de MT está aquém
Bovinos habilitados no Estado não são suficientes para manter
o mercado consumidor europeu, em razão do pouco volume de carne
TANIA NARA MELO
Da Reportagem
O rebanho mato-grossense que está provisoriamente habilitado para exportar à União Européia (UE) não atende sequer a metade do volume diário de abate demandado pela planta da Sadia Oeste, localizada em Várzea Grande. Para isso, seriam necessários cerca de duas a três mil cabeças/dia, para atingir volume suficiente para encher um contêiner com cortes nobre de bovinos, mais uma das exigências da UE. Na semana passada as autoridades européias suspenderam o embargo imposto a 106 fazendas brasileiras, entre elas quatro fazendas do Estado, que agora estão aptas novamente a exportar a carne in natura. O Estado tem hoje o maior rebanho bovino do país, com cerca de 27 milhões de cabeças. Das quatro fazendas incluídas na lista aprovada pela Comissão da União Européia como aptas à exportação, duas já foram vistoriadas nesta semana por técnicos da missão européia e receberam sinal verde, ou seja, a certificação in loco ratificou que há cumprimento das exigências do mercado europeu. Embora seja grande o número de propriedades mato-grossenses inscritas no Sisbov (Sistema de Rastreabilidade do Rebanho Bovino) isso não as torna aptas à exportação para o mercado europeu. As quatro fazendas mato-grossenses incluídas na lista da UE são a Asa Branca, localizada no município de Barra do Bugres; Ouro Branco (Juscimeira), De-geus (Nova Ubiratã) e, Estrela, em Porto Esperidião. Dados sobre as fazendas não foram revelados por nenhum dos órgãos oficiais no Estado. Para Paulo Resende, secretário-executivo da Associação dos Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR/MT) e membro da Comissão Técnica da Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), a medida adotada pela comissão da UE só faz aumentar a necessidade de que se adotem critérios mais rígidos na fiscalização feita pelo Ministério da Agricultura. Ele entende que esse é o primeiro passo para que todos de fato façam o dever de casa. Precisamos acabar com essa pecha de que no Brasil nada é sério. Já está mais do que na hora de aprendermos que é preciso fazer o dever de casa, e não apenas fazer de conta que estamos fazendo o que é preciso ser feito. Claro que isso deve ser feito dentro dos padrões da nossa realidade, que é bem diferente do padrão europeu, mas mesmo assim é necessário cumprir o nosso dever, afirma. O anúncio de que em Mato Grosso apenas quatro fazendas estão aptas à exportação acabou por gerar muita insatisfação junto à classe produtora. O secretário-executivo da APR, no entanto, entende que para mudar esse quadro é preciso adotar medidas mais diplomáticas. Este não é o momento de questionar e radicalizar. O radicalismo não leva a lugar nenhum, revela. Ele acredita que depois de vistoriar as fazendas aprovadas e verificar que todas as exigências estão sendo cumpridas, a comissão da UE poderá dar o sinal verde a outras propriedades. Não é negócio para eles deixar de comprar a nossa carne, pois temos a carne mais barata e mais saudável do mundo. REUNIÃO A visita da comissão européia ao Estado e as medidas a serem adotadas para ampliar o número de propriedade aptas à exportação, entre elas a proposta do deputado Ronaldo Caiado para que se questione na justiça o embargo da UE à carne brasileira, serão alguns dos pontos a serem discutidos pelos produtores amanhã, dia 6, na sede da Famato.