ECONOMIA
Segunda-feira, 04 de Junho de 2007, 19h:44
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SAFRA DE CANA
Queda de preços na bomba não chega como o esperado
O primeiro mês da safra de cana-de-açúcar na região Sudeste surtiu efeito de apenas décimos de centavos nas bombas de combustíveis. Na média nacional, segundo pesquisa divulgada ontem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o álcool hidratado chegou a R$ 1,614 na semana encerrada no dia 2 de junho, ante R$ 1,695 na primeira semana de maio, o que representa uma queda de 4,7%. A queda ainda está bastante abaixo da redução de preços pagos ao produtor: 26,5% no mesmo período, segundo apontou na última quinta-feira pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). A desproporcionalidade no repasse dessa queda no preço chegou a ser apontada pelo presidente do Grupo Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, como sinal de cartelização das distribuidoras de combustíveis no País. Em entrevista ontem em São Paulo, durante o evento Ethanol Summit, o executivo lembrou que as distribuidoras ligadas ao Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) controlam 70% do mercado de álcool. Segundo o empresário, isso impede que a queda no preço do álcool nas usinas, como a que ocorre atualmente, seja repassada ao consumidor. "Atualmente, o preço do etanol hidratado, usado nos veículos a álcool e flex fuel, é cotado a R$ 0,59 em média nas destilarias paulistas, enquanto na maioria das bombas dos postos o combustível varia de R$ 1,30 a R$ 1,50 no Estado", destacou Ometto. Ainda de acordo com a pesquisa da ANP, o impacto da queda no preço do álcool foi praticamente imperceptível sobre o valor da gasolina, que recebe a adição de 23% de anidro. Na média nacional, a gasolina teve uma queda de apenas 0,39% de acordo com a ANP.